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Year Zero: the silent death of Cambodia
(Ano
Zero: a morte silenciosa do Camboja)
Realizador: John
Pilger; David Munro
Data: 1979
Língua: Inglês
Extracto de John Pilger, A revolução não será televisionada,
11/09/2006:
«o documentário como um “acontecimento” televisivo pode
enviar ondas vastas e para longe. Year Zero: the silent death of Cambodia,
que realizei com David Munro em 1979, fez isso. Year Zero não só
revelou o horror dos anos de Pol Pot, mostrou como o bombardeamento “secreto”
desse país por Nixon e Kissinger tinha proporcionado um catalisador para a
ascensão dos Khmeres Vermelhos. Também expôs como o ocidente, conduzido pelos
Estados Unidos e pela Grã‑Bretanha, estava a impor um embargo, como um
cerco medieval, ao país mais devastado da Terra. Esta era uma reacção ao
facto de o libertador do Camboja ter sido o Vietname – um país que viera do
lado errado da guerra fria e que tinha recentemente derrotado os EUA. O
sofrimento do Camboja era uma vingança premeditada. A Grã‑Bretanha e
os EUA apoiaram mesmo o pedido de Pol Pot de que os seus homens continuassem
a ocupar o assento do Camboja na ONU, enquanto Margaret Thatcher impediu que
leite para crianças fosse enviado para os sobreviventes do seu regime de
pesadelo. Pouco disto foi reportado.
Se Year Zero
tivesse simplesmente descrito o monstro que Pol Pot era, teria sido
rapidamente esquecido. Ao reportar o conluio dos “nossos” governos, contou
uma verdade mais ampla sobre como o mundo era dirigido. Até George W. Bush e
Tony Blair terem forçado a sua sorte no Iraque e no Líbano, isto permaneceu
um tabu.
«Solidariedade e
compaixão agitaram-se em toda a nossa nação», escreveu Brian Walker, director
da Oxfam. Dois dias depois de Year Zero ter ido para o ar, 40 sacos de
correio chegaram à ATV (posteriormente, Central Television) em Birmingham –
26.000 cartas de primeira classe só na primeira remessa. A estação juntou
rapidamente 1 milhão de libras, quase todo em pequenas quantias. «Isto é para
o Camboja», escreveu um condutor de autocarros de Bristol, incluindo o seu
salário da semana. Pensões inteiras foram enviadas, juntamente com poupanças
inteiras. Petições chegaram a Downing Street, uma após outra, durante
semanas. Os deputados receberam centenas de milhares de cartas, exigindo que
a política britânica mudasse (o que aconteceu, eventualmente). E nada disso
foi pedido.
Para mim, a
resposta do público a Year Zero mostrou a mentira dos lugares‑comuns
sobre o “cansaço da compaixão”, uma desculpa que alguns emissores e
executivos de televisão usam para justificar a actual descida ao cinismo e à
passividade da Big Brotherland. Acima de tudo, aprendi que um documentário
poderia reclamar memórias históricas e políticas partilhadas, e apresentar as
suas verdades escondidas. A compensação era então um público compassivo e
informado; e ainda é.»
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