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La dignidad de los nadies (A
dignidade dos ninguéns) Realização: Fernando
E. Solanas Data: 2005 Original: Castelhano Página oficial: http://www.pinosolanas.com/la_dignidad_info.htm NOTA DE INTENÇÃO DO REALIZADOR Durante os anos 90 foi reiterada
a ideia de que a realidade não podia ser mudada, que devíamos resignar‑nos
ao caminho único neoliberal. Uma cultura derrotista, amnésica e hipócrita,
calou fundo nos sentimentos de milhões de pessoas. Mas outra realidade vinha
demonstrando o contrário através de milhares de actos individuais e
colectivos. Com A Dignidade... quis revelar as pequenas vitórias e façanhas
quotidianas dos “ninguéns”, alternativas e propostas solidárias que
demonstram como este mundo pode ser mudado. GÉNESE DO FILME A Dignidade dos Ninguéns
foi concebido a partir da catástrofe social que a Argentina viveu no começo
do século XXI: 25% de desempregados e 60% de pobres e indigentes. Éramos
capazes de alimentar 300 milhões de pessoas e morriam de fome ou doenças
curáveis cem pessoas por dia. Mais mortos por ano que todos os desaparecidos
do terrorismo de Estado. A tragédia impulsionou-me a fazer memória contra o
esquecimento. Os mais jovens perguntavam o que tinha acontecido e, embora o
tivéssemos denunciado muitas vezes durante os anos 90, era necessário trazer
as imagens dessa história e colocá‑las no seu contexto. Assim nasceram
Memória do Saque (2002/2004), uma análise das
políticas do poder, e A Dignidade dos Ninguéns, construída com relatos
e histórias de alguns protagonistas da resistência social. Uma epopeia
anónima e quotidiana dos traídos de sempre: classes médias empobrecidas,
desempregados ou piqueteros que saem a atalhar caminhos. Uma situação
similar vivida décadas atrás levou-me a conceber A Hora dos Fornos e
depois Os Filhos de Fierro: dois filmes diferentes e independentes
entre si sobre a Argentina de então e suas lutas sociais. Nos anos 90 foi imposto,
através dos meios de comunicação, o discurso do caminho único. Uma cultura derrotista
que ainda perdura em milhões de pessoas, apesar de centenas de mobilizações
que demonstraram a possibilidade de vencer a impunidade. A insurreição
espontânea de 19 e 20 de Dezembro do 2001 será uma das primeiras vitórias
contra o modelo global. Em A Dignidade dos Ninguéns são recolhidas experiências
através do relato dos seus protagonistas. Era difícil imaginar que as chacareras,
alheias aos assuntos bancários ou políticos, iam ser capazes de organizar um
vigoroso e original movimento de resistência enfrentando os bancos e
impedindo mais de mil arremates judiciais. Os refeitórios de bairro e
comunitários, os dispensários, padarias e outras iniciativas sociais criadas
pelos vizinhos para dar resposta à pobreza e à fome. As dezenas de marchas do
silêncio de familiares das vítimas das máfias policiais que conseguiram
desmascarar os assassinos e levá‑los a julgamento. As fábricas
recuperadas pelos seus antigos trabalhadores demonstrando que com a
autogestão e sem estruturas hierárquicas de gerentes e capatazes, podiam
produzir com eficiência e qualidade. Ao percorrer o país e falar
com trabalhadores, especialistas, produtores, cidadãos, camponeses,
indígenas, foi crescendo a ideia de realizar um fresco sobre o país. Quatro
longas metragens independentes entre si, mas unidas pelo tema da Argentina:
da devastação e saque do modelo neoliberal, à reconstrução e às alternativas
de um novo projecto capaz de recuperar os direitos conculcados e democratizar
a democracia. A Memória do Saque e A Dignidade dos Ninguéns seguir-se-ão Argentina Latente e A Terra Sublevada, cuja preparação está avançada; a rodagem deve começar nos próximos meses. |