|
Informação Alternativa |
|
Estados
Unidos da América |
|
27/02/2007 Cerca de 16 milhões de
estadunidenses em pobreza extrema David
Brooks Há crescimento na produtividade, mas não nos
salários nem na geração de empregos. A cadeia de jornais McClatchy realizou
uma análise com os números do censo de 2005. A percentagem de estadunidenses que vive em pobreza
extrema chegou a seu ponto mais alto em 32 anos, com quase 16 milhões de
pessoas; milhões mais estão cada dia mais perto do precipício da pobreza, perante
o qual o fosso entre ricos e pobres se amplia, reportou hoje a cadeia de
jornais McClatchy. Numa análise de dados do Censo de 2005 – os mais
recentes disponíveis – realizado pela cadeia, constatou‑se que o
número de estadunidenses que vivem em pobreza severa cresceu mais do que
qualquer outro segmento económico. Uma família de quatro pessoas com dois
menores de idade e um rendimento anual inferior a 9 mil 903 dólares – metade
da linha de pobreza oficial – ou indivíduos com um rendimento anual inferior
a 5 mil 508 dólares são definidos em pobreza severa. A análise constatou que o número de estadunidenses
severamente pobres cresceu 26 por cento entre 2000 e 2005 (56 por cento mais rápido
que o incremento geral da população em pobreza durante o mesmo período). Com
isso, 43 por cento do total de 37 milhões de pobres vive agora em pobreza
extrema, o índice mais alto desde 1975. A partir de 2000, o número de pessoas em pobreza severa
cresceu «mais que qualquer outro segmento da população», segundo estudo
recente publicado no American Journal of Preventive Medicine citado
pela cadeia de jornais. Ao mesmo tempo, este dramático incremento regista-se
durante uma expansão económica onde a produtividade aumentou de forma
significativa desde a breve recessão de 2001. No entanto, a análise – como
várias outras investigações recentes – documentou que os salários e a geração
de emprego não acompanharam esta expansão ao mesmo ritmo que a produtividade,
e uma razão é que a percentagem do rendimento nacional que se concentra nos
sectores mais ricos, em particular as utilidades empresariais, se incrementou
notavelmente. É por isso, em parte, que o rendimento médio dos lares de
famílias trabalhadoras tem caído em termos reais durante os últimos cinco
anos. Segundo a análise, quase uma em cada três pessoas em
pobreza severa têm menos de 17 anos, e quase dois em cada três são mulheres.
De acordo com os dados do censo, quase dois em cada três em pobreza severa
são brancos, incluídos latinos brancos. Negros em pobreza extrema têm três
vezes mais probabilidade do que os não brancos não latinos de estar em
pobreza extrema (4,3 milhões) enquanto os latinos têm duas vezes a
probabilidade dos brancos (3,7 milhões). Washington tem a concentração mais alta de pessoas
extremamente pobres (10,8 por cento em 2005) que qualquer dos 50 estados da
união; Mississippi e Luisiana são os seguintes na lista. Quase 6 em cada 10
residentes da capital vivem em pobreza extrema, à sombra da cúpula política
do país que tanto fala de “prosperidade”, “oportunidade” e tudo o mais.
Pessoas sem casa mantêm um acampamento no centro
de Olympia, Washington, o estado com mais cidadãos em pobreza extrema nos Estados Unidos A REGIÃO DA FRONTEIRA COM O MÉXICO, A MAIS AFECTADA As regiões com a pior pobreza severa são a da fronteira
com o México e algumas partes do sul profundo, mas também são de destacar
partes do corredor industrial abandonado no meio‑oeste e no nordeste
do país, segundo a análise. No entanto, os números não são de todo surpreendentes
já que os Estados Unidos registaram o nível mais alto – ou quase mais alto,
dependendo do ano – da taxa de pobreza para os menores de idade, indivíduos e
famílias entre os 31 países desenvolvidos, segundo o Estudo de Rendimento
Luxemburgo, que compara estas estatísticas. Como assinala McClatchy, à
excepção do México e da Rússia, os Estados Unidos são o país que dedica a
porção mais baixa do seu PIB a programas federais anti‑pobreza, e os
que existem estão entre os menos efectivos existentes. Ainda mais preocupante é que um em cada três
estadunidenses sofrerá um ano de pobreza extrema em algum momento da sua vida
adulta, segundo uma investigação do professor Mark Rank da Universidade de
Wisconsin. É com esses que o México e o Canadá vão ser sócios no famoso acordo para a segurança e a prosperidade? |