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13/07/2006 “Corações e mentes” pela paz John Catalinotto Em 27 de Junho último, manifestações de milhares de pessoas
ocorridas em mais de 30 cidades por todo o país expressaram o apoio e
gratidão ao oficial norte-americano que se recusou a tomar parte da ocupação
do Iraque. A recusa do primeiro tenente Ehren Watada em incorporar o
contingente destacado para o Iraque inspirou uma onda de solidariedade quer
da parte das organizações antiguerra, quer no seio dos militares
dissidentes. As manifestações fomentaram o contacto entre as organizações civis
antiguerra e os militares, fazendo crescer o número de colectivos que prestam
apoio aos soldados resistentes. Estudos de opinião demonstram que mais de 70
por cento dos militares dos EUA em serviço no Iraque querem vir embora o
quanto antes. A questão passa por apurar se esta mudança de atitude se pode
transformar numa acção de massas. No dia sete de Junho, Watada havia anunciado que não obedeceria à
cadeia de comando se fosse mobilizado para o Iraque porque a guerra viola o
direito internacional e a legislação norte-americana. Actualmente encontra‑se
confinado às casernas da base de Fort Lewis, em Washington. «Eu sinto que fomos todos enganados e traídos por esta
administração», disse Watada em entrevista telefónica a partir de Fort Lewis.
«É não só o dever, mas a obrigação de qualquer soldado, e muito mais dos
oficiais, avaliar a legalidade e a verdade por trás de qualquer ordem,
incluindo a de seguir para a guerra», esclareceu. As denúncias diárias que dão conta do envolvimento de soldados dos
EUA em crimes de guerra como a violação, o assassinato e o massacre de civis
iraquianos ajudam a perceber a posição do tenente. Até agora o Pentágono só
investigou com alarde acções criminosas de soldados e marines. Nunca
foram levadas à justiça acusações oficiais contra altas patentes e políticos
que mentem sistematicamente para justificar a invasão e ocupação ilegal do
Iraque. Algumas das manifestações realizadas no final de Junho
também se solidarizaram com outro soldado de Fort Lewis, Suzanne Swift.
Swift, que já passou um ano no Iraque, preferiu o protesto a voltar a
integrar uma segunda campanha, no dia 12 de Junho. Segundo testemunhou,
durante a primeira estadia no Iraque, foi vítima de assédio sexual por parte
de diversos sargentos da sua unidade, um dos quais a obrigou a manter um
relacionamento sob ameaça de a enviar para a frente de batalha. Outro
resistente militar, o sargento Kevin Benderman, encontra-se detido na prisão
de Forte Lewis onde cumpre uma pena de 15 meses por se ter igualmente
recusado, no ano passado, a ir para o Iraque. ÀS PORTAS DE FORTE LEWIS O Avante! falou com alguns dos participantes nas mais de 30
demonstrações. «Marchas e vigílias ocorreram em Seattle, Tacoma, Olympia e
Washington, as quais culminaram, no dia 27 de Junho, numa acção de protesto à
porta da base militar de Forte Lewis», revelou um dos activistas, Jim McMahon.
«As pessoas que passavam nos automóveis não paravam de buzinar em apoio à
marcha quando esta passou perto de uma auto-estrada, tendo os participantes
seguido para os portões da base», disse ainda. Já em Forte Lewis, discursaram
a mãe de Ehren Watada, Carolyn Ho, o pai, Robert Watada, e a madrasta, Rosa
Watada. Em Tacoma, a Igreja Metodista Unida proclamou o seu espaço como um
santuário para soldados que não querem ir para a guerra. A igreja
providenciará aconselhamento e assume-se como uma espécie “casa de café” da
era do Vietname, locais onde se juntavam dissidentes do exército e activistas
pela paz em cidades vizinhas de bases militares. Em Charlotte, na Carolina do Norte, decorreu outra demonstração de
apoio ao tenente Watada com a exibição do filme Sir! No Sir! numa
biblioteca pública. A película conta a história de um soldado opositor à
guerra do Vietname. Ahmad Daniels, um ex-soldado afro-americano da era do
Vietname, que também é mencionado no filme, introduziu a sessão e participou
no debate posterior. Daniels passou dois anos e meio na prisão por se recusar
a acompanhar a sua companhia de marines em transito para o sudeste
asiático. «Na praça Justin Herman Plaza, em São Francisco, realizou-se outra
manifestação», disse Joan Marquart ao Avante!. «Estiveram presentes
cerca de 200 pessoas com uma faixa que dizia “Obrigado tenente Watada –
Recusa a guerra ilegal”. Muitos dos oradores eram veteranos da guerra do
Vietname», acrescentou a fonte. Em Nova Iorque, alunos do secundário deslocaram-se ao centro de recrutamento, na baixa da cidade, para falarem com os soldados. No que diz respeito à guerra do Iraque, a luta por “corações e mentes” de que falam os estrategas norte-americanos também se desenrola no interior das forças armadas. |