Informação Alternativa

Estados Unidos da América

05/06/2006

 

Avó arremete contra a Merck em julgamento Vioxx

 

Linda A. Johnson

Associated Press; traduzido de SFGate

 

A empresa farmacêutica Merck tentou repetidamente minimizar a importância dos riscos cardíacos do seu analgésico Vioxx, de modo que a sua utilizadora Elaine Doherty não soube deles e não os pôde controlar antes de sofrer um ataque de coração depois de tomar o medicamento, disse o seu advogado aos jurados quando um julgamento sobre a responsabilidade do produto se iniciou segunda­‑feira.

 

Doherty, uma avó de sete netos diabética que estava a tomar Vioxx para a artrite, culpa o medicamento pelo seu ataque de coração de Janeiro de 2004. A Merck retirou o Vioxx do mercado em 30 de Setembro de 2004, afirmando que a sua própria pesquisa mostrou que os riscos de ataque de coração duplicavam após um uso de 18 meses.

 

No entanto, o advogado de Doherty, Jim Pettit, afirmou que após o Vioxx ter sido lançado em 1999, a Merck pressionou a Direcção de Alimentação e Medicamentos para colocar nova informação acerca dos riscos cardíacos do medicamento na secção das precauções no detalhado folheto de informação da caixa, em vez de estar na mais proeminente secção de avisos. A Merck calculou que essa colocação causaria menos impacto nas vendas, e a Estação de Whitehouse em Nova Jersey começou então a planear finalmente o estudo da segurança cardíaca do medicamento, disse Pettit.

 

Doherty, uma construtora de casas de Lawrenceville com 68 anos, tinha vindo a esforçar-se para reduzir os factores de risco para problemas de coração, disse o seu advogado. Entre fins dos anos 1990 e 2003, perdeu 40 Kg, reduziu o seu nível de colesterol para metade e reduziu intensamente a sua pressão sanguínea e o nível de açúcar no sangue, mas o Vioxx adicionou um outro risco, disse Pettit. A Merck minimizou esse risco numa carta dirigida aos médicos em Abril de 2002, incluindo o de Doherty, disse ele.

 

«Existia um aumento de risco de 510 porcento de que Elaine Doherty teria um ataque cardíaco porque estava a tomar Vioxx», disse Pettit, apontando para o seu cliente, o marido dela Daniel, e para os seus filhos no tribunal.

 

«O Vioxx foi um factor contribuinte substancial» no ataque de coração e é tudo o que a parte que nos envolve tem a provar, disse. «Dêem justiça a Elaine e a Daniel, não mais e certamente não menos».

 

Os advogados da Merck, que agora enfrentam mais de 13.000 casos relativos ao Vioxx, iniciaram a sua argumentação de abertura segunda­‑feira de tarde.

 

Este é o sétimo caso a ir a julgamento devido ao Vioxx, o qual havia sido um produto de sucesso na ordem dos 2,5 mil milhões por ano para a Merck, e é o primeiro julgamento que envolve uma queixosa feminina. A Merck perdeu três julgamentos até agora, com júris a atribuírem veredictos multi-milionários em cada um. A companhia planeia apelar nessas perdas.

 

O julgamento é o primeiro desde que novos resultados de pesquisa do Vioxx, recentemente revelados pela Merck, levantaram questões acerca de quão rápido o medicamento podia causar mal, enfraquecendo potencialmente a posição da Merck, a qual prometeu lutar contra cada caso individualmente.

 

A equipa legal da Merck inclui o advogado de Baltimore, Paul Strain, e será dirigida por Diane Sullivan, que ajudou a companhia a vencer o seu primeiro julgamento Vioxx em Nova Jersey em Novembro passado, apesar de vários confrontos com a Juíza do Supremo Tribunal de Justiça, Carol E. Higbee. Higbee está a tratar de todos os casos do Vioxx que deram entrada em Nova Jersey, cerca de 6.435.

 

Traduzido por Bruno Teixeira