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29/05/2006 Bush «colocou notícias falsas na TV americana» Andrew Buncombe The Independent; traduzido de Truthout As autoridades federais [dos USA] estão a investigar activamente dúzias
de estações de televisão americanas por difundirem materiais produzidos pela
administração Bush e por importantes corporações, e apresentá‑los como
notícias normais. Alguns dos segmentos de notícias falsas falavam de sucessos
na guerra no Iraque, ou promoviam os produtos das companhias. Investigadores da Comissão Federal de Comunicações (FCC) procuram
informação sobre estações em todo o país depois de um relatório produzido por
um grupo de campanha ter detalhado a dimensão extraordinária do uso de tais
materiais. O relatório, do grupo sem fins lucrativos Centro para os Media e a
Democracia, estabeleceu que durante um período de 10 meses 77 estações de televisão
fizeram uso das transmissões de notícias falsas, conhecidas como Video News
Releases (VNRs) [Publicações de Notícias em Vídeo]. Ninguém informou os
telespectadores sobre quem tinha produzido os materiais. «Sabemos que só tivemos um acesso parcial a essas VNRs e contudo
descobrimos 77 estações que as utilizaram», disse Diana Farsetta, uma das investigadoras
do grupo. «Eu diria que é bastante extraordinário. O quadro que descobrimos é
muito pior do que esperávamos ao iniciar a investigação em termos de quão
amplamente estas são utilizadas e quão frequentemente esses segmentos pré‑fabricados
são emitidos». Farsetta disse que as companhias de relações públicas a cargo da
produção dessas sequências por conta das corporações se tornaram cada vez
mais refinadas nas suas técnicas para conseguir a emissão das suas VNRs. «Tornaram‑se
muitas boas em imitar o que pareceria uma verdadeira reportagem televisiva
produzida independentemente», disse. A FCC negou-se a comentar sobre a investigação, mas investigadores
da unidade de controle da comissão puseram‑se recentemente em contacto
com Farsetta para pedir uma cópia do relatório do seu grupo. A gama das VNR é ampla. Entre os materiais fornecidos pela
administração Bush às estações noticiosas havia um em que um iraquiano‑americano
em Kansas City era visto a declarar: «Obrigado, Bush. Obrigado, EUA» em
resposta à queda de Bagdade em 2003. A sequência foi na realidade produzida
pelo Departamento de Estado, uma das 20 agências federais que produziram e
distribuíram materiais semelhantes. Muitas das reportagens corporativas, produzidas por fabricantes de fármacos
como a Pfizer, concentram‑se em temas de saúde e promovem o produto do
fabricante. Um exemplo citado pelo relatório foi uma sequência de Halloween
produzida pelo gigante confeiteiro Mars, que apresentava Snickers, M&Ms e
outras marcas da companhia. Ainda que a VNR original revelasse que era produzida
pela Mars, essa informação foi eliminada quando foi emitida pelo canal de
televisão – neste caso uma estação de propriedade da Fox em St Louis,
Missouri. O serviço de notícias Bloomberg disse que outras companhias que
patrocinaram as promoções incluíam a General Motors, o maior fabricante de
automóveis do mundo, e a Intel, o maior fabricante de semicondutores. Todas
as companhias disseram que incluíram informação completa da sua participação
nas VNR. «De modo nenhum tentámos ocultar que fornecemos o vídeo», disse
Chuck Mulloy, um porta-voz da Intel. «Na verdade, tomámos medidas extremas para
assegurar essa revelação». A FCC foi exortada a actuar por uma campanha de pressão organizada
pela Free Press, outro grupo sem fins lucrativos que se concentra na política
mediática. O porta-voz Craig Aaron afirmou que mais de 25.000 pessoas tinham escrito
à FCC sobre as VNR. «Essencialmente, é publicidade corporativa ou propaganda mascarada
como notícias», disse. «O público obviamente espera que as suas reportagens
noticiosas se baseiem em relatos reais e em informação real. Se estão a ver
publicidade para uma companhia ou para uma política governamental, precisam
que lhes seja dito». A controvérsia sobre o uso das VNR pelas estações de televisão estalou pela primeira vez na Primavera passada. Na altura, a FCC emitiu um anúncio público advertindo as emissoras de que estavam obrigadas a informar os telespectadores se os materiais eram patrocinados. A multa máxima por cada violação é de 32.500 dólares. |