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27/04/2006 Grande Boicote Americano John Catalinotto Este ano, pode ter lugar a mais importante acção de 1 de Maio desde
o Haymarket Protest de 1886, em Chicago, que inspirou o primeiro dia
internacional do trabalhador. Um novo movimento de trabalhadores eclodiu de repente nos EUA. O
movimento mostrou pela primeira vez a sua força a 10 de Março, quando os
organizadores de uma manifestação em Chicago esperavam mobilizar alguns
milhares de pessoas no protesto contra as novas leis anti‑imigração
propostas por congressistas reaccionários. Em vez disso, 200.000 pessoas
saíram à rua em defesa dos direitos dos imigrantes indocumentados. Depois, a
25 de Março, entre 350.000 a 500.000 marcharam em Los Angeles, e centenas de
milhares mais vão manifestar-se no próximo fim-de-semana por todo o país. Para 9 e 10 de Abril tinham sido agendados outros protestos em algumas
das maiores cidades norte‑americanas. Em vez disso, o movimento
começou com uma marcha de cerca de meio milhão de pessoas em Dallas, no
Texas, e um total de três milhões de pessoas desfilaram em 140 vilas e cidades.
Em muitos lugares assistiu‑se à maior manifestação de protesto de
sempre. Os estudantes saíram das escolas, os trabalhadores deixaram os postos
de trabalho e mostraram a força económica deste importante sector laboral. A força motriz por detrás deste movimento radica em primeiro lugar
nos trabalhadores oriundos do México e da América Central, seguindo-se depois
todos os restantes da América Latina. O novo movimento conseguiu rapidamente
o apoio de todos os grupos de imigrantes, tanto dos legalizados como dos que
o não estão, e começou a atrair apoio organizacional tanto dos sindicatos que
têm muitos imigrantes entre os seus membros como das mais activas
organizações de direitos cívicos na comunidade afro-americana. Dado que estes trabalhadores vêm de países onde a classe
trabalhadora tem uma consciência política e de classe mais forte do que os
trabalhadores naturais dos EUA, é natural que olhem para o 1.º de Maio como o
momento certo para o próximo e talvez o maior passo na sua luta. Os grupos
mais activos apelaram a uma combinação entre a falta ao trabalho e um boicote
ao consumo no 1.º de Maio. O apelo nacional para o 1.º de Maio – «Grande Boicote Americano de
2006; não às compras, não à escola, não ao trabalho» –, para exigir plenos
direitos para os trabalhadores imigrantes e respectivas famílias, está a
ganhar cada vez mais força. Este apelo, iniciado pela Coligação de 25 de
Março contra a HR4437 – uma coligação nascida fora de Los Angeles que trouxe
centenas de milhares de imigrantes para as ruas – ligou a acção agendada para
o 1.º de Maio com o boicote de 1955 aos transportes públicos em Montgomery,
no Alabama. A proposta de lei HR4437 é a mais reaccionária da meia dúzia de
propostas sobre imigração apresentadas no Congresso. MAIO DE LUTA NOS EUA O apelo tocou numa corda sensível para muitas comunidades de
imigrantes. Muitos dos trabalhadores imigrantes celebravam o 1.º de Maio nos
seus países de origem como o dia em que se comemora a luta da classe
operária. Em Los Angeles, os taxistas votaram a favor do encerramento do
serviço LAX aeroporto e os camionistas vão fechar a estação de serviço. Estão
marcadas manifestações nas grandes e pequenas cidades de todo o país,
incluindo Los Angeles, San Francisco, Dallas, Chicago e Nova Iorque. É ainda
possível que os estudantes e os trabalhadores levem a cabo iniciativas
individuais e de grupo. Muitas pequenas empresas, em particular na comunidade
mexicana, vão encerrar. Os comerciantes paquistaneses de Nova Iorque decidiram fechar os
seus estabelecimentos durante uma hora, no intervalo do almoço, no 1.º de
Maio. Na cidade de Nova Iorque, o Movimento ‘Marcha de Um Milhão de
Trabalhadores’ e a Coligação ‘Tropas Fora Agora’, que já tinham planeado
realizar uma manifestação e um desfile desde a Union Square, decidiram dar o
seu apoio ao movimento pelos direitos dos imigrantes e à iniciativa ‘Grande
Boicote Americano’. Estes grupos desfilaram e manifestaram-se no ano passado
para reavivar o Dia de Maio (May Day) e estão a preparar‑se activamente
para voltarem a manifestar-se este ano. «Nós apoiamos e abraçamos este movimento», disse Chris Silvera,
tesoureiro do Teamsters Local 808 e presidente do Teamsters Black Caucus
nacional, numa conferência de imprensa no City Hall. O seu sindicato local
recebe no 1.º de Maio a Coligação ‘Grande Boicote Americano 2006’, que
integra muitas comunidades de imigrantes da cidade de Nova Iorque, incluindo
latinos, filipinos, asiáticos, africanos e caribenhos. Os organizadores estão a preparar em todo o país o apoio político e legal a qualquer trabalhador ou estudante cujo patrão ou autoridade escolar tente exercer represálias pela sua participação nas iniciativas do 1.º de Maio. |