|
Informação Alternativa |
|
Estados
Unidos da América |
|
06/04/2006 Imigrantes mostram a força da luta John Catalinotto O mês de Março e o primeiro dia de Abril marcaram o arranque da luta
dos imigrantes ilegais nos EUA. Para o próximo dia dez está agendado novo protesto
contra a discriminação e a exploração. O próximo grande protesto, apelidado de “Dia de Acção Nacional”,
está agendado para 10 de Abril e resulta da coordenação de diversas
manifestações regionais em seis grandes metrópoles, congregando estruturas
laborais, de imigrantes, de direitos civis, religiosas e políticas. Uma
coligação de âmbito nacional começou ainda a organizar uma greve e um boicote
para o 1.º de Maio, por forma a ilustrar a importância dos imigrantes na
economia norte-americana. Os senhores dos grandes negócios norte-americanos pretendem acordos
como o NAFTA e o FTAA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte, ou
ALCAN, e Acordo de Livre Comércio das Américas, ou ALCA, nas siglas
portuguesas, respectivamente), para imporem o seu programa neoliberal na
América Latina. O primeiro, expulsou milhões de camponeses mexicanos das
respectivas terras forçando-os a procurar trabalho no Norte. Agora, a
consciência de classe dos trabalhadores da América Latina está a trazer a
luta continental contra o neoliberalismo para os EUA. Dezenas de milhares de pessoas marcharam, dia 1 de Abril, pela ponte
de Brooklyn até à baixa de Manhattan, exigindo respeito e legalização para os
cerca de 12 milhões de trabalhadores imigrantes indocumentados. Esta foi a
última iniciativa de uma onda de manifestações de massas que varreram o país,
de San Diego a Boston, desde que foi aprovada na Câmara dos Representantes,
no passado dia 16 de Dezembro, a xenófoba lei HR‑4437. VOZES DE PROTESTO POR TODO O PAÍS No início de Março, dia 10, 200 mil protestaram em Chicago. Quinze
dias depois, mais de um milhão de pessoas invadiu as ruas de Los Angeles, a
maioria dos quais de origem mexicana, comunidade que representa metade dos
imigrantes indocumentados nos EUA. Estas iniciativas de massas quase
espontâneas espalharam‑se em protestos similares por toda a Califórnia
e em cidades como Phoenix, Denver, Dallas, Houston, Milwaukee, Detroit,
Clevland e Filadélfia. Em Boston, grupos de imigrantes polacos, irlandeses,
portugueses e cabo‑verdianos juntaram-se à marcha. Estudantes do secundário do Sudoeste do país também saíram às ruas
apoiados pelos professores e mesmo alguns administradores escolares. Houve
liceus em que os jovens galgaram os portões cerrados a cadeado para aderirem
aos protestos. A região Sudoeste dos EUA fazia parte do México antes da
campanha expansionista norte-americana e das guerras da década de 40 do
século XIX. Gente de toda a América do Sul e Central e também do Caribe marcou
presença na ponte de Brooklyn, a maioria dos quais jovens trabalhadores com
as respectivas famílias, exigindo: a rejeição da HR‑4437, também
conhecida como o “Projecto do Rei Sensenbrenner”; o reconhecimento legal dos
trabalhadores indocumentados; o respeito devido a milhões de pessoas que,
mesmo sem documentos, não deixam de pagar os impostos e de cumprir as leis
americanas. Muitos transportavam bandeiras do México, mas também se vislumbravam
emblemas da Guatemala, de El Salvador, das Honduras, e de quase todos os
países do Caribe e da América do Sul, incluindo do Chile e do Uruguai,
caminhando em direcção aos arranha-céus de Manhattan com a Estátua da
Liberdade em pano de fundo. Juntamente com inúmeros trabalhadores cuja origem é a Sul do Rio
Grande, encontravam-se imigrantes da China, da Coreia do Sul, das Filipinas,
da Irlanda e de muitas nações do Sul da Ásia. Estes últimos juntaram a sua
voz às palavras de ordem gritadas em castelhano, como «Si se puede» e «El
pueblo unido jamás será vencido». Outro slogan muito ouvido foi «Bush,
escuta, o povo está em luta». DISCRIMINAÇÃO ESTÁ NA LEI A HR-4437, apresentada pelo deputado James Sensenbrenner, eleito
pelo Estado do Wisconsin, é o mais reaccionário dos 11 projectos actualmente
em discussão no Congresso. Para além de criminalizar grande parte das
comunidades de imigrantes, o projecto criminaliza professores do ensino
público, familiares de imigrantes, trabalhadores de associações religiosas e
comunitárias cuja principal tarefa é prestar assistência aos imigrantes
indocumentados. Este e alguns dos restantes projectos propõem a construção de
um muro de 700 quilómetros na fronteira entre o México e os EUA. Em comparação, dois outros projectos – os apresentados pelos
senadores McCain e Kennedy, e o proposto por Specter – parecem mais
progressistas. Mesmo nestes casos, o conteúdo das propostas descrevem os
indocumentados como “alienígenas ilegais”, insultando-os e insultando as suas
legítimas aspirações e direitos a estabelecerem‑se legal e
permanentemente nos EUA. O projecto McCain-Kennedy pretende criar uma nova
categoria para os vistos temporários, abrigando-os no chamado “programa de
trabalhadores convidados”. Os diferentes projectos representam o fosso entre os capitalistas que querem continuar a explorar os já mal pagos trabalhadores imigrantes sem lhes permitirem o acesso a quaisquer direitos civis, e os racistas da extrema‑direita, que pretendem interromper completamente os fluxos migratórios. Nenhum destes projectos satisfaz as exigências dos trabalhadores imigrantes, que são já cinco por cento da força de trabalho e desempenham um papel vital na economia, sobretudo nos sectores agrícola, de construção civil e de serviços. Os trabalhadores imigrantes estão a tentar usar esse peso, esse papel central na economia para imporem as suas próprias reclamações. |