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Europeia |
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07/12/2005 Quanto custa? Vasco Cardoso Na passada semana, aos microfones da TSF, na abertura de um dos seus
noticiários é dada a notícia da reunião realizada no Luxemburgo com a
participação dos Ministros da Justiça e da Administração Interna dos 25
países da EU (Conselho de Justiça e Assuntos Internos da União Europeia) para
discutir medidas de combate ao terrorismo, mais concretamente a retenção e
armazenamento, durante um ano, de dados respeitantes às chamadas telefónicas,
ao correio electrónico e à internet de todos os cidadãos da EU. Depois de ouvir o Ministro Alberto Costa garantir que existe «um
largo consenso» entre os Estados-membros relativamente a esta iniciativa,
sendo que as divergências são consideradas «menores» e relacionam-se com os
prazos e com os custos, entra no AR, a convite da rádio, o presidente da DECO
(associação de "defesa do consumidor" anormalmente solicitada para
opinar sobre "tudo") para comentar esta medida, afirmando que a
achava injusta, uma vez que as exigências logísticas para implementar este
gigantesco «Big Brother» se iriam reflectir na «factura dos consumidores», e
por aqui se ficaram. O noticiário prosseguiu no carrossel habitual de
informações relevantes e outras que nem por isso. Estes breves minutos de antena são absolutamente elucidativos sobre
duas questões. Em primeiro, a forma leviana em como se procura naturalizar a
ideia de que, sobre o pretexto do combate ao terrorismo se podem permitir e
aceitar todas as formas de vigilância e controlo das populações, vigiando
arbitrariamente milhões de pessoas, agindo contra os mais elementares
direitos humanos, demolindo o direito à privacidade, procurando ter cobertura
legal para controlar e perseguir todos os que não alinhem com o sistema e
pensamento dominante. A técnica é antiga, mete-se medo às pessoas (um mundo
cheio de terroristas que é preciso deter) para que as mesmas aceitem a perda
dos mais elementares direitos democráticos. A segunda observação, que tem tanto de subtil como de perigosa,
prende-se com o facto de a abordagem a este problema ser colocada na
perspectiva dos "consumidores". O alinhamento produzido, induz na
ideia de que se não existissem custos por aí além facilmente se tomaria a
decisão. Procura-se desta forma reduzir a natureza humana e os direitos do
homem à dimensão daquilo que ele consome, projectando um mundo dividido entre
produtores e consumidores regulados pelo preço "justo" do mercado. Nunca será demais afirmar que para nós, a liberdade não tem preço. |