Informação Alternativa

União Europeia

13/01/2006

 

CIA: Países europeus tinham conhecimento de prisões secretas

 

Lusa

 

Os países europeus tinham conhecimento há pelo menos dois anos das prisões secretas e das actividades dos Estados Unidos na Europa relativas a presumíveis terroristas, afirmou hoje o relator de uma comissão de inquérito do Conselho da Europa.

 

«Desde há dois, três anos, que os países sabem exactamente o que se está a passar», declarou Dick Marty, também deputado suíço, à televisão do seu país.

 

«Há países que colaboraram activamente, outros que toleraram e outros ainda que simplesmente olharam para o lado», acrescentou.

 

Sobre as torturas que terão sido praticadas pela CIA (serviços secretos externos norte-americanos), o relator do Conselho da Europa considerou que «a reacção mais forte ocorreu precisamente nos Estados Unidos».

 

«Foi graças à emenda de um senador norte-americano e republicano» que tais práticas foram postas em causa, recordou.

 

O relator referia-se à lei assinada pelo Presidente norte-americano, George W. Bush, a 31 de Dezembro, proibindo a tortura no estrangeiro de prisioneiros nas mãos dos Estados Unidos.

 

A grande maioria do Congresso, republicana, uniu-se em torno desta lei defendida pelo senador John McCain, herói da guerra do Vietname, quando cada vez mais se avolumam as dúvidas quanto aos métodos norte­‑americanos utilizados na luta contra o terrorismo.

 

A comissão de inquérito do Conselho da Europa, que reúne os 25 Estados membros da UE e mais 21 países europeus, está a conduzir a sua investigação no âmbito de um procedimento previsto pela Convenção Europeia de Direitos Humanos.

 

A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional exigiu hoje em Viena que a presidência austríaca da União Europeia (UE) “colabore plenamente” nos inquéritos em curso sobre a existência de prisões secretas da CIA na Europa.

 

«A presidência deve colaborar plenamente nos inquéritos em curso sobre as actividades ilegais de agentes norte-americanos [na Europa] e comprometer-se a tomar medidas apropriadas se tais inquéritos demonstrarem a cumplicidade de Estados membros [da UE] em práticas que violam o direito humanitário internacional», escreve a Amnistia num memorando que enviará aos dirigentes austríacos.

 

O Parlamento Europeu (PE) criou em Dezembro uma comissão de inquérito temporária sobre o presumível transporte ilegal de prisioneiros e a existência de prisões secretas da CIA na Europa ou em países candidatos à adesão.

 

Tal comissão deverá, nomeadamente, determinar se Estados membros ou cidadãos da UE foram cúmplices dos alegados factos.