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23/12/2004 Mais protecção nos mares
territoriais O Parlamento Europeu aprovou na
quinta-feira, 16, o relatório do deputado do PCP, Sérgio Ribeiro [1],
relativo à protecção dos recifes de coral de profundidade nos mares dos
Açores, Madeira e Canárias [2]. O documento, destinado a dar
parecer sobre uma proposta da Comissão Europeia, visava no fundamental
restabelecer o nível de protecção dos recursos biológicos marinhos existente
antes da liberalização do acesso às águas territoriais na faixa entre as 100
e as 200 milhas. Até final de 2003, o
equilíbrio entre o aproveitamento de recursos e a sua conservação era
assegurado com êxito pela jurisdição nacional e regional, de proximidade,
pelo que, na opinião de Sérgio Ribeiro, «a sua substituição não tem o
fundamento de corrigir prática incorrectas e laxistas». Pelo contrário, o fim da jurisdição
portuguesa sobre parte da zona económica exclusiva (ZEE) foi acompanhado pela
invasão de embarcações de pesca industrial que utilizam artes «predadoras»
como o arrasto pelo fundo e o emalhar no fundo, antes proibidas pela
legislação nacional. Neste sentido, considerando a
proposta de Bruxelas insuficiente, uma vez que apenas proibia as redes de
arrasto, o relator conseguiu alterar a correlação de forças que lhe tinha
sido desfavorável na Comissão Parlamentar e obteve o apoio da maioria do
hemiciclo para aprovar a proibição de todas as artes de pescas susceptíveis
de provocar danos aos recifes de coral, incluindo as redes de emalhar
fundeadas. Um segundo objectivo,
igualmente chumbado na comissão de pescas do PE, era conseguir que os
eurodeputados reconhecessem como área geográfica a proteger toda a zona entre
as 100 e as 200 milhas da ZEE e não apenas as pequenas «boxes» delimitadas em
graus de longitude e latitude. A isto juntava-se a exigência
da menção expressa à jurisdição nacional (portuguesa e espanhola) sobre as
ZEE, aspecto intencionalmente omitido na proposta da Comissão Europeia ao
contrário do que sucedera relativamente ao Reino Unido, cuja jurisdição sobre
a formação de recifes Darwin Mounts nas costas da Escócia foi referida num
regulamento semelhante. Esta última questão que, tal
como a anterior, foi rejeitada pelo plenário, assumia uma importância central
já que, como sublinhou Sérgio Ribeiro, na proposta do executivo comunitário
«consuma-se o princípio da competência exclusiva da União Europeia para a
conservação dos recursos biológicos marinhos». Trata-se, salientou o
relator, de uma «muito discutível decisão, e para nós inaceitável, pelo que
representa de substituição da competência nacional e regional sobre parte do
território nacional, ainda que submerso, pela competência comunitária com
estatuto de exclusividade». Não obstante o resultado
positivo alcançado, na votação das propostas que Sérgio Ribeiro insistiu em
levar ao plenário confrontaram-se dois tipos de interesses: os da pesca
costeira, quase artesanal, e os da pesca industrial. A primeira, referiu o
relator, é «penalizada, com graves consequências sociais e nas economias
regionais, pelo carácter predador da segunda que, pelo seu poder económico e
político, prosseguirá, e com mais à-vontade, a sua actividade». No mesmo sentido, referiu a propósito das negociações em curso sobre
as quotas de pesca, devem ser contrariadas «estratégias que, a pretexto de
defender o ambiente, ajudam a que os “peixes grandes” vão comendo os “peixes
pequenos”, podendo substituir-se o vocábulo “peixes” por outros como barcos,
como frotas, como interesses, como países». __________ [1] «Em nota divulgada na sexta-feira, dia 17, o Secretariado do PCP informou que Sérgio Ribeiro, deputado no Parlamento Europeu, «conforme o estabelecido com a direcção do PCP», será substituído, a partir de meados de Janeiro, por Pedro Guerreiro, membro do Comité Central e quinto candidato nas listas da CDU às eleições europeias de 13 de Junho passado. Pedro Guerreiro, de 38 anos, desempenha actualmente funções no Secretariado Político do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica» (Avante!, 23/12/2004). [2] Ler Sérgio Ribeiro, Dos recifes de coral à (mal) dita «Constituição», 23/09/2004. |