Informação Alternativa

União Europeia

17/10/2004

 

Diplomata suspenso por denunciar torturas no Uzbequistão

 

TSF

O ex-embaixador britânico no Uzbequistão, que denunciou o Governo de Londres por usar informações obtidas naquele país através de tortura, foi suspenso, confirmou este domingo o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O diplomata Craig Murray, 45 anos, desencadeou recentemente uma polémica no Reino Unido ao denunciar que os serviços secretos britânicos usavam os dados obtidos pelas autoridades do Uzbequistão através de acções de tortura, noticiou o diário Financial Times.

Esta semana, o Ministério dos Negócios Estrangeiros já tinha anunciado que Murray tinha sido destituído do seu cargo por considerar que «não podia exercer com eficácia os seus deveres na manutenção de relações com o Uzbequistão», de acordo com as declarações na altura de um porta-voz do Ministério.

Esta informação é agora confirmada através da suspensão dos honorários do diplomata, mas vem contrariar a posição anunciada anteriormente pelo gabinete, que tinha assegurado que não seriam tomadas medidas disciplinares contra Craig Murray.

Desde a sua nomeação como embaixador, em 2002, o diplomata tem vindo a acusar o Governo do Uzbequistão de torturar prisioneiros políticos e religiosos com o fim de obter informações que eram posteriormente usadas pela norte-americana CIA e pelos serviços secretos britânicos MI6.

De acordo com as informações divulgadas a nível internacional, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jack Straw, ordenou esta semana uma investigação para apurar a legalidade do uso de provas obtidas sob tortura na luta contra o terrorismo.

Esta investigação vem no seguimento de uma recente decisão judicial que autoriza o Reino Unido a usar este tipo de informações na luta contra o movimento terrorista, desde que as acções de tortura não sejam cometidas pelo próprio Governo britânico ou tenham aprovação e conhecimento do mesmo [1].

 

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[1] Ver a este respeito: Amnistia Internacional, Reino Unido: O Tribunal de Apelação dá luz verde à tortura, 11/08/2004.