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14/03/2006 Al-Kubaysi encontrou-se com apoiantes do Tribunal-Iraque
Sexta-feira passada, o
presidente da Aliança Patriótica Iraquiana, Abdel Jaber al-Kubaysi, que se
encontra em Lisboa, foi o convidado de honra num jantar promovido pela
Comissão Organizadora do TMI-AP, que teve lugar na Associação 25 de Abril, em
Lisboa. Estiveram presentes mais de 50 apoiantes, entre os quais o coronel
Vasco Lourenço, os arqs. Nuno Teotónio Pereira e Charters Monteiro, o juiz
conselheiro do STJ Gonçalves da Costa, o coronel Mário Tomé, o advogado
Garcia Pereira e o músico José Mário Branco. Num ambiente de firme
solidariedade com a resistência do povo iraquiano, e após curtas intervenções
de boas‑vindas e apoio do coronel Vasco Lourenço (como anfitrião) e do
arq. Manuel Raposo (em nome do TMI), Al‑Kubaysi manifestou a absoluta
certeza de que o povo iraquiano está a vencer a guerra de libertação nacional
contra os invasores e ocupantes, os EUA e seus aliados. Al-Kubaysi referiu que o
facto político mais importante dos últimos tempos, no Iraque, é o processo de
unificação política da resistência. Denunciou os aspectos mais bárbaros da
ocupação – proliferação de prisões, assassínio em massa de civis inocentes, a
destruição total das infra‑estruturas do país. «Esta guerra pode durar
o tempo que for preciso, porque o povo iraquiano já perdeu tudo o que podia
perder: a independência, a liberdade de expressão, os parentes e os amigos, o
seu património cultural milenar», disse. Acrescentando: «O nosso inimigo
imperial e colonial não conseguirá enganar os povos do mundo com as suas
eleições fabricadas; e não conseguirá vencer-nos apesar da sua arrogância e
do seu mortífero poder militar. Eles terão de pagar todo o mal que fizeram; mesmo
que se vão embora – e não falta muito para serem expulsos do Iraque – terão
de indemnizar o meu país pela destruição e a morte que semearam». Depois de fazer uma
referência emocionada ao sofrimento e à coragem das mulheres iraquianas, e de
contradizer a propaganda imperial acerca das divisões étnicas e religiosas do
povo iraquiano, Al‑Kubaysi terminou agradecendo a hospitalidade e o
apoio dos portugueses, e pronunciou palavras que traduzem o alcance mundial
que tem a luta da resistência iraquiana: «Depois de expulsarmos e castigarmos
os Estados Unidos, qualquer pequeno país do mundo poderá levantar a cabeça
contra o imperialismo, com a certeza de que ele não é invencível, e poderemos
lutar por uma paz duradoira e justa entre todos os povos do mundo». Foi um caloroso encontro
onde, enquanto activistas anti-guerra, certamente recebemos mais força do que
demos. Como já tínhamos verificado nos encontros com outros resistentes – nomeadamente
na audiência mundial do TMI em Istambul, em Junho de 2005 –, a indignação que
todos partilhamos contra a barbárie do império EUA parece estar, neles,
temperada por uma inesperada serenidade. A serenidade inabalável que, em
Timor‑Leste, havíamos sentido em Xanana e Matan Ruak. A serenidade de
quem, conhecendo os progressos conseguidos no terreno da luta e as grandes
dificuldades por que passam os opressores, sabe que vai vencer. |