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20/06/2006 Porto: Imigrantes
protestam contra forma como dizem ser tratados pelo SEF [Do comunicado
de 14/06/2006 da ESSALAM – Associação de Imigrantes Magrebinos e de Amizade
Luso‑Árabe, e das associações AACILUS, CNLI, Espaço MUSAS, SOS
Racismo, Terra Viva!: Desaparecido há dias,
depois de se ter apresentado no SEF do Porto, Hamid Hussein, operário de
construção civil, com 33 anos, de nacionalidade paquistanesa e a residir há 5
anos em Portugal, pai de dois filhos menores, acabou, em virtude do estado de
depressão em que se encontrava depois dos últimos contactos com o SEF, por
pôr termo à vida, lançando-se do alto da ponte D. Luís I. Estranhamente e apesar de
transportar consigo, no bolso, o seu passaporte, só no princípio desta semana
o seu corpo foi localizado, depositado no Instituto de Medicina Legal do
Porto, por amigos que procuravam saber do seu paradeiro, sem que de alguma
forma as autoridades locais se tenham preocupado sequer em avisar o consulado
do seu país. Inclusive, conforme foi informado no IML, o seu corpo estaria em
risco de ser incinerado ou ir parar a uma fossa comum. Tanto quanto se sabe,
Hamid vinha tendo vários contactos com o SEF-Porto para regularização da sua
situação já que, apesar de se encontrar no país há cinco anos, aquela polícia
lhe vinha repetidamente exigindo várias condições – tidas como absurdas
noutras delegações do SEF fora do Porto – para lhe revalidar a autorização de
residência, entre elas, que perfizesse anualmente o rendimento de 5400 Euros
como quantia mínima garantindo a sua sobrevivência económica. Face à
generalizada precariedade de emprego, Hamid teria reclamado ultimamente a
devolução do que tinha pago para a Segurança Social portuguesa e o regresso
ao seu país, o que teria sido respondido no SEF com a sua expulsão das
instalações daquela polícia.] Dezenas de imigrantes de
origem maioritariamente paquistanesa, indiana e magrebina manifestam‑se
sábado em protesto contra a forma como são tratados pela delegação do Serviço
de Estrangeiros e Fronteiras desta cidade. A manifestação, seguida de
marcha, foi decidida numa concentração realizada segunda-feira na Praça da
Liberdade na sequência do suicídio de Hamid Hussein, um paquistanês de 33
anos que recentemente se atirou da Ponte D. Luís I ao rio Douro. Segundo os manifestantes, Hamid
Hussein, pai de dois filhos, encontrava-se em depressão há bastante tempo
devido à forma como era tratado pela delegação do Porto do SEF, onde tentava
revalidar a sua autorização de residência. Segundo a Essalam (Associação
de Imigrantes Magrebinos e de Amizade Luso-Árabe), aquele imigrante, que se
encontrava em Portugal há cinco anos, estava a deparar-se com dificuldades no
processo de revalidação da autorização de residência. De acordo com a mesma fonte o
SEF exigia um comprovativo em sede de IRS de que o imigrante auferia de um
rendimento anual de pelo menos 5.400 euros. Face à impossibilidade de o
provar, e alegadamente desiludido pela forma como estava a ser tratado,
Hussein terá exigido a devolução das contribuições que fez à Segurança
Social, para com esse dinheiro regressar ao Paquistão, pretensão que não terá
sido satisfeita. Poucos dias depois, o
imigrante desapareceu, tendo um grupo de conterrâneos iniciado uma busca que
terminou com a localização do seu cadáver no Instituto de Medicina Legal. A forma como o corpo de Hamid
Hussein foi tratado causou nova indignação na comunidade imigrante, pois,
apesar de ter sido encontrado com o passaporte no bolso, não foi feito
qualquer esforço, segundo aquela associação, para informar os familiares da sua
morte. «Disseram-nos que se não
tivéssemos aparecido ele iria ser cremado», afirmou à Agência Lusa um dos
seus amigos, presente na concentração de segunda-feira. Segundo um dirigente da
Essalam, as delegações do SEF de outros distritos, como os de Coimbra, Lisboa
ou Faro, «usam critérios muito mais humanos no seu relacionamento com os
imigrantes, não lhes exigindo carimbo atrás de carimbo ou outras burocracias
sem sentido, como acontece no Porto». Num plenário improvisado durante
a concentração de segunda‑feira, os imigrantes decidiram promover
sábado, ao fim da tarde, uma nova manifestação na baixa do Porto, seguida de
marcha por várias artérias da cidade, para exigir a uniformização de
critérios e de tratamentos nas delegações do SEF de todo o país. A iniciativa, organizada em colaboração com a associação portuguesa Terra Viva, conta com a solidariedade de organizações como a AACILUS, Comissão Nacional para a Legalização de Imigrantes, SOS Racismo, Espaço Musas e Terra Vivente AES, entre outras. |