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17/07/2008 Voos da CIA: rapaz canadiano pode ter passado por Portugal O jovem canadiano de 16 anos cujo vídeo [1] do interrogatório em Guantánamo foi recentemente divulgado pode ter passado pela base das Lajes. Quem o diz é Ana Gomes, que no seu blogue [2] refere a passagem de dois voos ilegais da CIA por Portugal no dia em que Omar Khadr foi transferido para Guantánamo, juntamente com outros 28 prisioneiros. A eurodeputada do PS exorta o governo português a apurar a verdade em vez de a esconder, lembrando que Portugal pode ser acusado de cumplicidade neste caso. O deputado Fernando Rosas do
BE apresentou um requerimento [3] ao ministro dos Negócios Estrangeiros. «Omar Khadr foi preso no
Afeganistão e transferido para Guantánamo, segundo os dados oficiais
americanos comunicados aos advogados, onde chegou no dia 28 de Outubro de
2002. Nesse dia, sobrevoaram o espaço aéreo português, com destino a Guantánamo,
dois aviões militares americanos, tipo C-17, com as matrículas RCH184Y e
RCH319Y», diz Ana Gomes no blogue Causa Nossa, baseando-se nos dados do
relatório da ONG britânica Reprieve, de Janeiro de 2008. A eurodeputada conclui que «há
dados que indicam que OMAR KHADR poderá ter passado por Portugal, num voo militar
americano autorizado politicamente pelas autoridades portuguesas (governo
Barroso/Portas) a sobrevoar espaço aéreo nacional, a caminho da prisão de
Guantanamo». E exige explicações ao Governo Português, até porque «trata-se
de não agravar mais as compensações que Portugal um dia poderá ter de pagar a
Omar Khadr, por cumplicidade negligente no sequestro e tortura de que ele foi
vítima, e por cumplicidade activa no encobrimento de tais crimes». Entretanto, o governo do
Canadá tem estado debaixo de fogo político e mediático depois da divulgação
das imagens do interrogatório a Omar Khadr, mas continua a recusar pedir a
extradição do jovem para o Canadá. «Estes vídeos já estavam na posse do
anterior governo quando decidiram prosseguir com o processo judicial de Khadr
em Guantánamo», afirmou o porta-voz do primeiro ministro conservador Stephen
Harper, acrescentando ainda que «não se podem ignorar as acusações sérias de
que Khadr é alvo e o fórum próprio para decidir se ele é culpado ou inocente
é um processo judicial e não um processo político». Estas declarações mereceram
resposta imediata do advogado militar de Khadr. Bill Kuebler lembrou que os
tribunais militares de Guantánamo «não são concebidos para ser justos» mas
sim para «produzir convicções». E acrescentou que quem viu o jovem a implorar
pela sua mãe e ainda acredite que Khadr esteve em combate lado a lado com
terroristas da Al Qaeda «está maluco», frisando que «qualquer coisa arrancada
a este jovem em tribunal é claramente irreal». Por outro lado, também a oposição criticou o governo canadiano, sustentando que a sua inacção mina por completo as tentativas para erradicar o uso de crianças soldado. «Trabalhámos durante anos para convencer outros países a erradicar o uso de crianças em conflitos. Mas o nosso próprio país nem sequer reconhece que o nosso próprio cidadão é uma criança soldado», afirmou o senador liberal Romeo Dallaire. _____ [1] Ver Guantánamo: divulgado vídeo inédito de interrogatório a rapaz de 16 anos, Esquerda, 15/07/2008. [2] Ana Gomes, “Omar Khadr, Guantánamo e Portugal” (I, II, III), Causa Nossa, 17/07/2008. [3] Fernando Rosas, Passagem do
cidadão Omar Khadr pelo espaço aéreo português a caminho de Guantánamo (pdf), requerimento dirigido ao ministro dos Negócios Estrangeiros, 17/07/2008. |