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15/07/2008 Encontro de inflexíveis contra o trabalho precário Renato Teixeira Realizou-se no domingo
passado, no teatro da Comuna em Lisboa, um encontro de trabalhadores
precários, promovido pelos Precários Inflexíveis, sob o lema: “Não há acordo
para a precariedade”. Respondeu à chamada meia centena de pessoas, na sua
maioria jovens, de diferentes áreas laborais e inseridos em diferentes tipos
de plataformas de acção política e sindical. Os Precários Inflexíveis
apresentam-se em manifesto como uma organização «de precári@s no emprego e na
vida». São, pode ler-se ainda no referido manifesto, operadores de call-center,
estagiários, desempregados, trabalhadores a recibos verdes, imigrantes,
intermitentes, estudantes-trabalhadores. Da flexi-seguranca dizem que o
‘flexi’ é para eles e a ‘segurança’ é só para os patrões; e prometem não
esquecer as condições a que os remetem e, com a mesma força com que os atacam
os patrões, responderem com a luta. Afinal, concluem: «somos muito mais do
que eles». No debate foi consensual que
o actual modelo capitalista ataca os direitos dos trabalhadores, sujeitando‑os
a uma progressiva precarização dos diferentes capítulos da vida. Não faltam ferramentas aos
patrões para transformar os trabalhadores numa mercadoria cada vez mais
avulsa e descartável. Ele é os falsos recibos verdes, ele é a legalização do
trabalho precário pretendida pelo actual governo, é as avenças com tectos
salariais mas sem tectos para as horas passadas no chão do local de trabalho,
é o exército de desempregados que leva uma geração inteira de trabalhadores a
aceitar trabalho sem quaisquer direitos mas cheio de obrigações – como é
exemplo o pagamento de impostos elevados e da segurança social para
rendimentos inferiores a dez mil euros por ano em contraste com as grandes
empresas e as grandes remunerações que continuam, impunemente, sem pagar. Os precários, duas vezes
precários quando são estudantes ou jovens à procura do primeiro emprego, três
vezes precários quando são bolseiros de investigação ou desempregados de
longa duração, quatro vezes precários quando são intermitentes do espectáculo
ou contratados a prazo, seis, sete e oito vezes precários quando a tudo isto
somam o facto de serem imigrantes, dão um caldo de gente que cada vez mais
sente a necessidade de tomar nas suas mãos a luta pelos seus direitos. Estes,
e todos os que, vivendo do seu trabalho, encontram no Estado o melhor amigo
do patrão – fornecendo-lhe todas as leis necessárias para legalizar a sobre‑exploração
– começam a organizar-se e assim a dar resposta ao vazio deixado pela inércia
ou falta de vontade das tradicionais organizações políticas e sindicais. Do encontro surgiram
propostas concretas para a acção que passam pelo alargamento da rede de organizações
que lutam contra a degradação do trabalho e da vida; bem como pela tentativa
de abertura de trabalho sindical dentro das empresas em colaboração com os
sindicatos que apresentem combatividade, ou autonomamente quando os
sindicatos andarem apenas preocupados com a concertação social. Para lá do debate político e do cruzamento de propostas de acção houve ainda tempo para o lançamento do Livro da Selva e de uma performance satírica aos principais governantes do país: Cavaco, Sócrates e o ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva. Um encontro de saudar e a repetir. Mais informações no blog: precariosinflexiveis.blogspot.com |