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Mundo

Julho 2005

 

Relato sobre o WTI – Istambul

 

Delegação da AP-TMI

 

1. O DECORRER DAS SESSÕES

 

O WTI-Istambul decorreu entre 23 e 27 de Junho num edifício público anexo ao palácio Topkapi, no centro histórico da cidade.

 

Dia 23: sessão de abertura, ao ar livre, às 20h00. Cerca de 500 pessoas presentes. Intervenções da comissão organizadora, da iraquiana Haifa Zangana e da indiana Arundhati Roy, porta-voz do Júri, que falaram sobre os propósitos gerais do tribunal. Concerto por músicos turcos. Cobertura feita por várias cadeias de TV e jornalistas.

 

Às 15h00 fora dada uma conferência de imprensa para apresentação do tribunal com a presença de Richard Falk, porta­‑voz do Painel de Advogados.

 

Dias 24, 25 e 26: depoimentos, 53 no total, em quatro painéis por dia. Temas: (1) O papel da lei e das instituições internacionais, (2) A responsabilidade dos governos, (3) A imputabilidade dos média, (4) A invasão e a ocupação do Iraque, (5) Herança cultural, ambiente e recursos mundiais, (6) Segurança global e alternativas futuras. No final de cada painel o Júri podia colocar perguntas.

 

Sempre boa presença de público ao longo de todos os dias: sala cheia no início e no final (cerca de 400 a 500 pessoas); nunca menos de meia sala nos restantes períodos. Permanente cobertura pela comunicação social. Todos os dias, artigos em diversos jornais.

 

Dia 27: conferência de imprensa para apresentação da decisão do Júri, apresentada por A. Roy. Sala cheia, diversas cadeias de TV, rádio e imprensa escrita.

 

2. OS DEPOIMENTOS

 

São de destacar os seguintes aspectos:

 

– os testemunhos de 11 iraquianos, 9 dos quais vindos do interior. Casos pessoais de violência; testemunhos sobre Faluja e muitas outras cidades arrasadas; imagens filmadas e fotos.

 

– o depoimento de um soldado da força aérea dos EUA que participou nos bombardeamentos prévios à invasão e que se recusou a nova incorporação. Denunciou o aliciamento dos jovens das camadas mais pobres para se alistarem. Apelou ao exercício do direito de objecção de consciência.

 

– os depoimentos de D. Halliday e H. Sponeck denunciando o papel da ONU, isto é, da chamada “comunidade internacional”, em todo o processo desde 1991 à actualidade. Duma forma geral, mostraram como foram úteis aos agressores as atitudes cooperantes, tolerantes ou apenas cobardes diante da pressão dos EUA­‑RU.

 

– a proposta de Samir Amin de lançar uma campanha mundial contra os EUA sob o slogan US GO HOME visando todos os meios pelos quais os EUA exercem hegemonia no mundo, designadamente as suas tropas e bases militares.

 

3. AS CONCLUSÕES DO TRIBUNAL

 

Respondem às principais questões que estão colocadas, designadamente em dois aspectos essenciais: (1) o apoio sem condições à resistência iraquiana, reconhecendo-lhe o direito de ripostar por todos os meios à ocupação; (2) a exigência inequívoca da retirada dos ocupantes como condição prévia para a normalização da vida do país.

 

De sublinhar também as condenações de todos os participantes na agressão, nos diversos graus em que a questão se coloca: EUA e RU, países cúmplices (membros da coligação, países árabes), ONU, meios de comunicação e jornalistas, empresas…

 

Atenção ainda para o apelo aos soldados norte-americanos para que recusem a guerra e para que lhes seja concedido asilo.

 

Finalmente, a proposta de apresentar nas instâncias internacionais queixas contra os culpados.

 

4. APRECIAÇÕES GERAIS

 

a) Como sessão culminante de uma vintena de outras, o tribunal de Istambul teve o mérito de incorporar o essencial das abordagens feitas noutros países.

 

b) Pode tirar-se como sentido geral das intervenções no Tribunal a ideia de que no Iraque está em jogo a liberdade dos iraquianos mas também o futuro dos outros povos do mundo. Todo o apoio é pois necessário, por uma e outra razão, à resistência dos iraquianos, que constitui uma ponta avançada da luta contra as pretensões norte­‑americanas. Se outras “guerras preventivas” ainda não foram lançadas é porque os EUA estão bloqueados no Iraque, sem grande margem de manobra.

 

c) Prosseguir a missão do TMI justifica-se também por isso. Em todos os grupos nacionais põe-se a interrogação de como dar sequência à actividade. Algumas ideias trocadas:

 

– implantar em cada país núcleos activos do WTI

 

– coordenar mais eficazmente a ligação entre os núcleos

 

– dar voz aos iraquianos colocando-os em primeiro plano

 

– promover acções gerais que mantenham o carácter internacional do WTI

 

d) Foram aventadas as seguintes hipóteses para dinamizar a actividade:

 

– promover proximamente uma reunião com agenda bem determinada para discutir formas de continuar a actividade

 

– criar uma plataforma comum de acção e de coordenação entre as secções, com mais consistência que até aqui.