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20/03/2008
Aliança torcionária transatlântica Rui Paz George Bush vetou
recentemente uma tentativa da Câmara dos Representantes para impedir a
prática da tortura pelos Estados Unidos. Na defesa dos métodos torcionários
da CIA e do Pentágono, o presidente norte‑americano invocou “estar
provado” o sucesso da tortura na “defesa da América”. Há que reconhecer que o
“democrata máximo” do capitalismo nunca disse uma verdade tão grande, apesar
do mar de mentiras com que tem inundado o mundo para agredir cada vez mais
estados e povos soberanos. De facto, ao longo do século vinte, numerosas
ditaduras, dirigidas por generais formados nas escolas militares
norte-americanas utilizaram a tortura como o método mais eficaz para a defesa
dos interesses do imperialismo em todos os continentes. Nem a Europa escapou,
como ficou comprovado pelo fascismo português, membro fundador da NATO, e por
ditaduras idênticas na Turquia, na Grécia e na Espanha, especializadas na
tortura, prisão e assassínio de comunistas e de outros democratas. Neste aspecto, a
diferença entre as ditaduras fascistas e a actual prática da administração
norte‑americana situa‑se fundamentalmente no facto de
Washington, ao contrário daqueles regimes terroristas, procurar legalizar a
tortura e apresentá-la como um bem para os cidadãos, como uma obra prima do
chamado “estado de direito”. Eis o fim da demagogia desses “democratas” de
meia tigela que em Portugal costumam louvar os Estados Unidos como o expoente
máximo da “democracia”. Não esqueçamos os elogios de Sócrates, ainda não há
muito tempo, à “democracia norte-americana” durante a sua viagem aos Estados
Unidos. São estes grandes “democratas”,
como as Merkel, os Sarkozy e os Barrosos, que se deslocam a Washington para
apertar a mão ao chefe da rede mundial de torcionários, que se dispõem a
entregar-lhe numerosos dados pessoais dos cidadãos de países europeus que
viajam para os Estado Unidos num flagrante atentado às liberdade e garantias
constitucionais. Mas não nos devemos
admirar, sabendo-se que os grandes da União Europeia e os seus acólitos têm
sido totalmente coniventes com os raptos, a tortura e as agressões de
Washington em nome da chamada “guerra contra o terrorismo”. Será para
combater terroristas que o treino militar dos exércitos da NATO, destinados a
operações e agressões contra povos e países soberanos, inclui a dissolução de
manifestações e protestos? Dois acontecimentos da
semana passada confirmam a conivência torcionária transatlântica.
Primeiramente, foram as declarações do antigo chefe da CIA para a Europa,
Taylor Drumheller, à revista alemã Stern
(13.03.08) explicando que os dirigentes dos serviços secretos alemães e os
responsáveis na Chancelaria, como o actual Ministro dos Negócios
Estrangeiros, Steinmeier, estavam desde muito cedo ao corrente dos raptos e
campos de tortura norte-americanos no quadro da operação “extraordinary
renditions”. O segundo foi a condenação pelo
tribunal de Münster da prática de torturas na preparação militar das tropas
alemãs. Cerca de 160 recrutas foram mal tratados, inclusive com choques
eléctricos, na simulação do rapto de reféns no quartel de Coesfeld no Verão
de 2004. A luta contra o estado
policial e torcionário constitui hoje, a par da luta contra a guerra, uma das
mais importantes frentes da resistência dos comunistas e de outros
democratas. |