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28/02/2008
728 “erros administrativos” Carlos Gonçalves Vai chegando ao fim a
década de Bush & cia na gestão operativa dos assuntos correntes do
imperialismo USA, e neste quadro conjuntural, por reacerto de imagem
institucional ou de um qualquer funcionário em trânsito eleitoral, vão deslizando
das câmaras de horrores da Casa Branca, do Pentágono, da CIA, ou da NSA,
indícios dos crimes cometidos num qualquer país recolonizado, ou lugarejo
perdido do “quintal das traseiras” do “império”. Ainda em “estado de
graça” pós Blair, calhou agora a Brown ser desmentido pelo Departamento de
Estado USA – afinal tinham passado em 2002, pela Base Americana da Ilha
Britânica de Diego Garcia no Índico, dois voos CIA com sequestrados das “rendições
extraordinárias”, um dos quais ainda se encontra no antro de iniquidade e
tortura de Guantánamo. Para os States as
mentiras anteriores neste caso são «lamentáveis» e resultam de «erro administrativo»
da CIA, mas de “boa fé”, obviamente. Quanto às mentiras actuais (ainda não
admitidas) sabe-se já que se devem a um erro ainda não identificado, mas cuja
“boa fé” está garantida. Relativamente a
Portugal, foi conhecido no fim de Janeiro o relatório da Reprieve que, a
partir de dados USA, juntou novas provas do trânsito por território nacional,
a caminho de Guantánamo, de 728 sequestrados – muitos com escala e presumível
detenção na passagem pelas Lages. E passaram apenas duas
semanas desde que a “santa aliança” PS/PSD/CDS considerou que não existiam
novos dados e recusou, mais uma vez, a proposta do PCP dum inquérito
parlamentar sobre a matéria. Mas, dia 22, o
reconhecimento oficial dos casos de Diego Garcia pôs Sócrates em pânico. Se
no caso português viesse a provar-se algo semelhante seria «extremamente
lamentável», disse em evidente recuo o P. Ministro, encenando a vitimização. Lamentável é este
Governo, que mente sem escrúpulos, inviabiliza qualquer tentativa de
esclarecimento e nega até ao absurdo a evidência da sua cumplicidade e da “santa
aliança” PS/PSD/CDS na ocultação continuada dos crimes do imperialismo. E um destes dias, será
ainda mais deplorável – do ponto de vista do regime democrático – ver
Sócrates desculpar‑se dos 728 “erros administrativos” da CIA que
passaram por Portugal a caminho das torturas de Guantánamo. |