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14/11/2007
Prepotências imperiais Emir Sader Os EUA e a Inglaterra desmoralizaram
o que restava de legalidade internacional ao invadir o Iraque, com pretextos
que se revelaram falsos, dando razão à negativa do Conselho de Segurança das
Nações Unidas de autorizar‑lhe mais essa invasão. No entanto, uma
brutalidade como essa contra o direito internacional passou batida. Nem
sequer uma condenação, mesmo que verbal, que tivesse um carácter moral. A
guerra aboliu a diplomacia e a ONU desapareceu sob o fogo dos bombardeios. Fortalecido pela
impunidade, os EUA fomentam um ataque ao Irão, senão uma tentativa de
invasão, para a qual pode não estar em condições de suportar uma terceira
guerra. Israel ensaiou com um ataque à Síria, para testar a “comunidade
internacional”. Nada aconteceu e pode estar‑se a preparar uma acção de
comando teleguiada pelos EUA através de Israel contra instalações nucleares
iranianas. O presidente dos EUA fala abertamente no ataque, conforme a teoria
dos amigos e dos inimigos. Israel já confessou que tem a bomba atómica, mas
por ser aliado carnal dos EUA, o seu armamento é considerado “defensivo”,
como se o que Israel faz dia e noite contra os palestinos, que têm o seu
território ocupado há 4 décadas e o reconhecimento do seu direito a ter um
Estado aprovado pela ONU, não fosse desrespeitado justamente pelos EUA e por
Israel. Não bastasse essas
demonstrações de prepotência, os EUA insistem em se valer da presença da sede
da ONU no seu território para cometer todo tipo de arbitrariedade. Já
recordamos como Portinari não pôde comparecer à inauguração dos seus
extraordinários painéis Guerra e Paz,
por ter-lhe sido negado o visto pelo governo dos EUA [1]. Desde que Evo Morales
assumiu a presidência da Bolívia, não contente com conceder refúgio no seu território
para Sanchez de Losada, ex-presidente foragido da Justiça boliviana,
negando-se a extraditá-lo para responder pelos seus crimes, entre outras
centenas de mortos nas mobilizações populares que levaram à sua queda, ainda
nega sistematicamente vistos para ministros indígenas do governo de La Paz ou
procede a uma tramitação interminável do visto. O presidente boliviano,
do alto da dignidade que o seu papel de primeiro presidente indígena de um
país em que 2/3 da população se reconhece como indígena, recolocou o tema da
necessidade da transferência da sede da ONU para outro país. No último FSM
realizado em Porto Alegre, um documento assinado por cerca de 20 intelectuais
fundadores do Fórum recordava essa necessidade e, quando um jornalista
perguntou a um deles para onde poderia ser transferida, a resposta foi
directa: Para Hamalah, estaria melhor na Palestina. O embaixador do império
na Bolívia teve a petulância de fazer uma brincadeira com as palavras de Evo Morales,
comentando que também poderiam retirar a Disneylândia dos EUA. Diante do
gracejo, o presidente boliviano pediu retractação imediata, sob pena do
funcionário de Washington ser declarado persona non grata e ser expulso do país. Assim age o império,
com a sua prepotência, enquanto o seu presidente é eleito por ampla maioria,
no mundo todo, como o mandatário que mais representa perigo para o mundo. ______ [1] Emir Sader, O povo, a guerra e a paz de Portinari,
Carta Maior, 11/09/2007. |