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05/07/2005 Estudo de ecologista de Cornell demonstra que a produção de etanol e biodiesel consome mais energia do que aquela proporcionada por estes combustíveis Susan S. Lang Cornell
News Service; retirado de Resistir.info Converter plantas como milho, soja e girassol em combustível gasta
mais energia do que o etanol ou o biodiesel fabricado, segundo um novo estudo
da Universidade de Cornell e da Universidade da Califórnia (Berkeley). «Não há benefício energético em utilizar a biomassa das plantas para
produzir combustíveis líquidos», afirma David Pimentel, professor de ecologia
e agricultura em Cornell. «Estas estratégias não são sustentáveis». Pimentel e Tad W. Patzek, professor de engenharia civil e ambiental
em Berkeley, efectuaram uma análise pormenorizada dos rácios energéticos dos
inputs para produzir etanol a partir da biomassa de milho, capim (switch
grass) e madeira, bem como para produzir biodiesel a partir da soja e do
girassol. O seu relatório está publicado em Natural Resources Research (Vol.
14:1, 65-76). Em termos de output de energia comparado com o input para a produção
de etanol o estudo descobre que: – o milho exige 29 por cento mais energia fóssil do que o
combustível produzido; – o capim exige 45 por cento mais energia fóssil do que o
combustível produzido; – a biomassa da madeira exige 57 por cento mais energia fóssil do
que o combustível produzido. Em termos de output de energia comparado com o input para a produção
de energia, o estudo descobre que: – a plantação de soja exige 27 por cento mais energia fóssil do que
o combustível produzido; e – a plantação de girassol exige 118 por cento mais energia fóssil do
que o combustível produzido. Na avaliação dos inputs os investigadores consideraram factores tais
como a energia utilizada para produzir a colheita (incluindo produção de
pesticidas e fertilizantes, movimentar maquinaria agrícola e de irrigação,
trituração e transporte da colheita) e na fermentação/destilação do etanol a
partir da mistura aquosa. Embora se verifiquem custos adicionais, tais como
subsídios federal e estaduais que são transferidos para consumidores e custos
associados à poluição ou degradação ambiental, estes números não foram
incluídos na análise. «Os Estados Unidos precisam desesperadamente de um combustível
líquido de substituição do petróleo no futuro próximo», afirma Pimentel, «mas
produzir etanol ou biodiesel a partir da biomassa das plantas é tomar o
caminho errado, porque você utiliza mais energia para produzir estes
combustíveis do que aquela que você obtém a partir da combustão destes
produtos». Embora Pimentel advogue a utilização da queima da
biomassa para produzir energia térmica (para o aquecimento de casas, por
exemplo), ele lamenta o uso da biomassa para
combustíveis líquidos. «O governo gasta mais de US$ 3 mil milhões por
ano para subsidiar a produção de etanol quando esta não proporciona um
balanço líquido de energia, ou ganho, não é uma fonte de energia renovável ou
um combustível económico. Além disso, a sua produção e utilização contribuem
para a poluição do ar, da água e do solo e
para o aquecimento global», afirma Pimentel. Ele salienta que a vasta
maioria dos subsídios não vai para agricultores e sim para grandes
corporações produtoras de etanol. «A produção de etanol nos Estados Unidos não beneficia a segurança energética do país, a sua agricultura, economia ou o ambiente», declara Pimentel. «A produção de etanol exige grandes inputs de energia fóssil e, portanto, ela está a contribuir para importações de petróleo e gás natural e para défices americanos». Ele considera que o país deveria, ao invés disso, centrar os seus esforços na produção de energia eléctrica a partir de células fotovoltaicas, energia eólica e queima da biomassa e produzir combustível a partir da conversão do hidrogénio. |