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Médio
Oriente |
Julho 2005
Possibilidades e contingências da primavera árabe Gilbert
Achcar * O mundo árabe está a afundar-se numa crise social, económica e política. Regimes autoritários, monárquicos ou republicanos monopolizam o poder, enquanto as populações aspiram à democracia. E não serão as intervenções militares que poderão acelerar a mudança nesta atormentada região. Três acontecimentos
recentes marcaram o Médio Oriente: o falecimento de Yasser Arafat, a 11 de
Novembro de 2004, a que se seguiu, a 9 de Janeiro de 2005, a eleição de
Mahmud Abbas para a presidência da Autoridade Palestiniana; a participação
duma maioria do eleitorado iraquiano nas eleições de 30 de Janeiro de 2005; e
por último o assassinato do ex‑primeiro‑ministro libanês, Rafiq
Hariri, a 14 de Fevereiro de 2005, seguido de um protesto de grande amplitude
que exigiu a retirada das tropas sírias do Líbano e o fim da pesada tutela de
Damasco sobre as instituições do país. A estes acontecimentos
juntaram-se outros factos de mais reduzido alcance, como as eleições
municipais – em três etapas, de Fevereiro a Abril – na Arábia Saudita, ou o
anúncio, em Fevereiro, pelo presidente egípcio Hosni Mubarak, duma reforma da
eleição presidencial, segundo a qual o sufrágio universal poderá escolher
entre vários candidatos, quando até aqui o candidato único era nomeado pelo
Parlamento e ratificado por via plebiscitária. Devido à sua conjunção,
estes acontecimentos – a que alguns chamaram “primavera árabe” – suscitaram
uma catadupa de comentários na imprensa mundial, cujo impressionismo tinha
por vezes sinais de ingenuidade. Muitos ex-detractores de George W. Bush
fizeram à porfia o seu mea culpa para
reconhecer, em tom mais ou menos contrito, que afinal a política dele dava
bons resultados, ao mesmo tempo que os partidários de sempre do presidente
estadunidense davam largas a uma auto-satisfação à altura da dele e da da sua
secretária de Estado. Ora, muitos factos notórios contradizem esta impressão
dominante. Yasser Arafat, ele próprio eleito democraticamente por sufrágio
universal, sempre reclamou o direito de organizar novas eleições palestinianas,
mas estas foram-lhe recusadas, porque a população palestiniana o teria
certamente reeleito. As eleições iraquianas
foram impostas na sequência dum esforço vigoroso e contínuo, através duma
mobilização maciça organizada em Janeiro de 2004, a que apelou o grande
ayatollah Ali Al-Sistani, contra o procônsul americano Paul Bremer e os seus
patrões de Washington, que tentavam impor aos iraquianos uma Assembleia
Constituinte nomeada pelo ocupante. Quanto à impressionante mobilização da
oposição no Líbano, foi o assassinato de Rafiq Hariri que a desencadeou, e
não uma qualquer acção de Washington – a menos que se lhe atribua a
responsabilidade do atentado! REGIMES AUTORITÁRIOS,
REGIMES TRADICIONAIS No caso dos regimes
dependentes dos Estados Unidos, como o “reino protegido” saudita ou o regime
egípcio, principal beneficiário, depois de Israel, da ajuda externa dos
Estados Unidos [1], a pressão de Washington é sem dúvida directamente
responsável pela reforma. Mas é preciso uma pessoa ter uma concepção muito
restritiva da “democratização” para se congratular com umas eleições sauditas
que escolheram apenas metade dos conselheiros municipais (continuando a outra
metade a ser nomeada pela monarquia), com o voto dos nacionais e a exclusão
das mulheres, e isto num país sem Parlamento, onde, ainda por cima, os
partidos políticos são rigorosamente proibidos. Quanto à reforma
prometida pelo presidente egípcio, esta em nada constitui uma prova de
democratização efectiva; a nova lei – adoptada pelo Parlamento egípcio a 10
de Maio e ratificado a 25 por um referendo que a oposição denunciou – está
redigida de tal maneira que afasta qualquer candidatura que não seja aprovada
pelo próprio presidente. Com efeito, qualquer candidato à eleição
presidencial tem agora de ser patrocinado por 250 eleitos, de entre os quais
pelo menos 65 membros da Assembleia do Povo – onde o Partido Nacional
Democrático do presidente Mubarak ocupa 412 dos 454 lugares. Ou seja, estamos ainda
longe do necessário em matéria de democracia nesta parte do planeta, a
respeito da qual a equipa que redigiu os relatórios sobre o mundo árabe do
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) fez há pouco um
balanço terrível quanto ao estado das “liberdades” em sentido lato – isto é,
juntando às liberdades civis e políticas os direitos sociais, económicos,
educativos e ambientais [2]. Tal como o ano passado,
com grande pesar de Washington [3], o novo fascículo do relatório do PNUD - o
terceiro de uma série de quatro [4] – indica que a ocupação israelita dos
territórios palestinianos e a ocupação do Iraque são entraves ao
«desenvolvimento humano» no mundo árabe, sem com isso ilibar os regimes
árabes das suas responsabilidades. Estes últimos, na sua maior parte – tanto
os regimes autoritários como os regimes “tradicionais” que se servem da
religião –, reprimem as liberdades fundamentais de opinião, de expressão e de
associação, e isso ainda com mais severidade desde que se valem das
exigências da luta contra o terrorismo. O relatório descreve a
falta de legitimidade democrática da maior parte dos regimes árabes, que
desnaturam os mecanismos eleitorais e as instituições representativas
falseando as regras do jogo. As instituições judiciárias são neles raramente
independentes dos governos, quando não são pura e simplesmente jurisdições de
excepção. Os partidos políticos de oposição, mesmo quando são tolerados, são
as mais das vezes marginalizados por toda a espécie de entraves. Os cidadãos árabes não
usufruem do habeas corpus, nem sequer
de uma garantia do seu direito à vida, vendo‑se muitas vezes entre o
fogo cruzado dos grupos extremistas homicidas e dos poderes pouco preocupados
em poupar os inocentes. As mulheres, bem como, muito frequentemente, as
minorias culturais, religiosas ou étnicas, vêem-se perante uma “dupla
perseguição”, acrescentando-se à opressão geral a opressão específica que
lhes é movida. De forma surpreendente,
o relatório qualifica o Estado árabe contemporâneo como um «buraco negro»; a
exemplo do fenómeno astronómico com o mesmo nome, ele absorve no seu campo de
gravitação – no centro do qual se encontra um poder executivo omnipotente –
as forças vivas da sociedade. De tudo isso resulta, com a erosão das
legitimidades tradicionais ou carismáticas, religiosas ou nacionalistas, um
empobrecimento da vida política, que as organizações da sociedade civil não
foram capazes de transcender. O relatório, porém, não
se fica pela descrição dos sintomas, fazendo um diagnóstico que identifica as
causas do défice democrático árabe. Põe de lado as explicações
“culturalistas”, que remetem para percepções enviesadas do Oriente, do islão
ou da “mentalidade árabe”, que, por exemplo, uma investigação comparativa
internacional contradiz [5]. Além disso, a compatibilidade do corpus islâmico com a democracia é uma questão de
interpretação [6]: as exegeses são escolhidas, no fim de contas, em função de
práticas cuja origem não é religiosa. O relatório faz um
balanço severo da atitude das potências mundiais na região árabe, pouco
preocupadas em promover ali a democracia, visto estarem motivadas por duas
considerações essenciais, o petróleo e o Estado de Israel, às quais se juntou
entretanto o terrorismo. Por outro lado, as principais forças populares de
oposição à dominação ocidental, quer sejam nacionalistas ou islamitas,
tiveram historicamente uma relação meramente utilitária com a questão das
liberdades democráticas. A natureza antidemocrática, real ou suposta, de
certas oposições islamitas serviu, e continua a servir, como argumento para
justificar a denegação da democracia – aquilo a que o relatório chama «a
armadilha das primeiras e últimas eleições». O estado das liberdades
no mundo árabe encontra-se associado às estruturas sociais predominantes. O relatório
põe em causa a sobrevivência de tradições vindas do tribalismo e um sistema
de ensino que inculca a servidão voluntária, bem como a pobreza e o aumento
das desigualdades sociais que entravam a participação política dos mais
desfavorecidos. Além disso, a parte dos rendimentos orçamentais fornecida
pelos juros, em particular no caso dos países petrolíferos, livra o Estado do
dever de prestar contas aos cidadãos contribuintes. CATÁSTROFE IMINENTE No capítulo das
soluções, o relatório do PNUD preconiza para os défices diagnosticados, no
essencial, remédios banais: um conjunto de reformas políticas, legislativas e
constitucionais que visam instaurar instituições democráticas. Sem pôr de
lado a possibilidade dum papel positivo das pressões estrangeiras, o
relatório considera que a condição dessas reformas consiste no respeito pelos
direitos e vontades populares e na ausência de qualquer relação de tutela. O quadro geral assim
descrito pelo relatório do PNUD é edificante, apesar de não trazer nada de verdadeiramente
novo às pessoas familiarizadas com a região em causa. O próprio facto de
emanar de uma agência das Nações Unidas e de ter sido redigido por autores
árabes, entre os quais vários intelectuais de renome, torna-o um instrumento
de que os democratas árabes podem utilmente servir-se sem incorrer nas
demagógicas desqualificações habituais. O relatório tem todavia
limitações, decorrentes das próprias circunstâncias em que foi feito, na sua
qualidade de documento duma agência intergovernamental. Estranhamente,
subestima o papel, que é fundamental, das televisões por satélite – em
particular o canal pioneiro Al Jazira [7] – na emergência duma opinião
pública árabe autónoma. Por isso mesmo, a sua constatação parece
exageradamente sombria no tocante ao potencial político das populações de
língua árabe. Nos seus critérios democráticos, o relatório mostra-se
excessivamente circunspecto a respeito da religião; quando a separação da
religião e do Estado deveria ser apresentada como uma condição primordial da liberdade,
o relatório chega a considerar que a designação constitucional da charia como fonte de legislação não é incompatível com os
direitos humanos. Finalmente, e
sobretudo, para se efectuar a mudança necessária o relatório apela aos
governos e aos governados. Com vista a evitar a «catástrofe iminente» que
resultaria duma explosão social – receando o relatório que ela provoque uma
guerra civil –, os reformadores do poder e da sociedade civil devem negociar
uma redistribuição política com vista a realizarem a “boa governança”. Mas
tendo em conta a realidade da opressão característica da maior parte dos
países árabes e da natureza social dos seus governos, esta é uma perspectiva
muito vã. Um estudo que estivesse
livre de qualquer constrangimento institucional antes concluiria pela
necessidade duma união das forças democráticas para impor “por baixo”
mudanças radicais que se revelarão tanto menos violentas quanto mais maciças
forem, como a história tem demonstrado amplamente e como a actualidade
recente de novo confirmou. Além disso, não poderá haver uma consolidação da
democracia sem uma importante redistribuição da propriedade e dos rendimentos
nessa parte do mundo onde subsistem Estados patrimoniais, cujas famílias
reinantes continuam a apropriar-se duma parte considerável dos recursos
nacionais, agrícolas e mineiros. É por isso que parece muito mais ilusório
instaurar duradouramente as liberdades e a democracia através duma acção
concertada com uma parte das classes dirigentes do mundo árabe do que outrora
com as ditaduras burocráticas da Europa Central e Oriental. Mas a pior das ilusões
consiste em pretender realizar essas mudanças através duma intervenção
militar exterior, quer seja ou não seguida de ocupação. O Iraque torna‑se
a ilustração mais retumbante – em todos os sentidos do termo – da inadequação
do método adoptado por Washington, tendo em conta o objectivo alardeado. A
situação política evolui ali perigosamente no sentido de crescentes tensões
interétnicas e interconfessionais; quanto mais a ocupação se prolonga, mais a
profecia dos responsáveis pela ocupação, segundo a qual a saída das suas
tropas significaria o início duma guerra civil, poderá revelar-se auto‑realizadora.
Por outro lado, o espectáculo do caos em que o Iraque mergulha pode desacreditar
a própria ideia de democracia aos olhos das populações árabes. A questão que se
levanta, todavia, não é tanto a da validade da ocupação militar como meio de
mudança democrática no mundo árabe – não custa nada reconhecer que essa
ocupação só pode ser contraprodutiva – mas mais a da realidade das pretensões
apregoadas pela administração Bush no respeitante à promoção da democracia
nesta região do mundo. Ora, basta considerar o princípio dos dois pesos e
duas medidas que esta administração utiliza nas suas relações com os regimes
árabes, para nos convencermos de que, apesar de todas as proclamações
relativamente ao “novo paradigma” que ela terá introduzido na política
externa, neste aspecto em Washington nada de facto mudou [8]. Com efeito, se a amizade
que George W. Bush tem pelos seus pares for avaliada com base nos convites
que lhes faz para o seu rancho texano de Crawford, como ele próprio sugere, a
forma calorosa como ali recebeu ainda há pouco, e ostensivamente – chegando a
mostrar-se perante as câmaras a passear dando a mão ao seu convidado –, o
príncipe herdeiro saudita Abdallah, dirigente do Estado mais obscurantista e
mais opressor das mulheres de todo o planeta, revela perfeitamente a que
ponto continuam em Washington a considerar o reino saudita um aliado da maior
importância. Por outro lado, bastou ao ditador líbio Muammar Kadhafi permitir
que Bush e Blair anunciassem, em Dezembro de 2003, que renunciava a tentar
apetrechar‑se com armas de destruição maciça, para se tornar uma
pessoa recomendável, como mostram, desde então, as sucessivas visitas à Líbia
de Tony Blair, Silvio Berlusconi, Gerhard Schröder e Jacques Chirac. Apesar disso, é
inegável que o pontapé estadunidense no formigueiro árabe que foi a invasão
do Iraque, seguido das declarações “democráticas” duma administração Bush que
procurava atenuar o desmoronamento do pretexto das armas de destruição
maciça, contribuiu para desestabilizar a região, traduzindo-se isso no
aumento de expressões e contestações populares até então sufocadas debaixo da
pesada «excepção despótica árabe» [9]. Ora, os resultados
daquilo que é apresentado como uma nova vaga de democratização própria aos
Estados do Médio Oriente – completando aquelas por que passaram os Estados
ex-fascistas depois de 1945 e os Estados ex‑comunistas depois de 1989
– em nada correspondem, até aqui, aos desejos de Washington. A
desestabilização da região abriu fendas através das quais se precipitaram,
predominantemente, forças políticas encaradas pelos Estados Unidos como
inquietantes, senão mesmo hostis. O falecimento de Yasser
Arafat e a sua substituição por Mahmud Abbas provocaram, na ausência de
avanços israelitas, uma subida em força do movimento islamita Hamas, emanação
palestiniana do movimento dos Irmãos Muçulmanos, que decidiu entrar na arena
eleitoral depois de durante muito tempo a ter boicotado. As eleições
iraquianas marginalizaram o homem enfeudado a Washington, o
ex-primeiro-ministro Iyad Allaui, e foram ganhas por uma coligação de
partidos e forças maioritariamente xiitas e integristas, com mais simpatias
pelo Irão do que pelos Estados Unidos. As demonstrações de força do Hezbollah
aumentaram a obsessão, grandemente mítica [10], de Washington e dos seus
aliados árabes sunitas: o incremento de um “crescente xiita”, que se
estenderia do Líbano ao Irão, passando pelo “poder alauita” da Síria e pelos
xiitas iraquianos. Até mesmo o regime do
presidente egípcio Mubarak se vê confrontado com uma onda de manifestações
duma oposição revigorada, inspirada nos exemplos iraquiano e libanês, e em
grande medida dominada pelo movimento dos Irmãos Muçulmanos – como aliás as
oposições da Jordânia e da Síria. A célebre confraria, matriz da corrente
moderna do islamismo com vocação directamente política, decidiu aliás lançar
uma ofensiva política à escala regional para tirar vantagem da
desestabilização para a qual Washington grandemente contribuiu, de forma
voluntária e – muito mais – de forma involuntária. Confrontada com os resultados
alarmantes da sua própria política, a administração Bush, incitada pela
monarquia saudita e perante o desapontamento dos seus neoconservadores, tenta
agora conjurar o destino procurando estabelecer um diálogo com os Irmãos
Muçulmanos – de novo apresentados como «islamitas moderados», qualificação
que durante algum tempo desaparecera do vocabulário em voga em Washington
[11]. Feitas as contas, os Estados Unidos voltam a estar, no Médio Oriente,
na posição de aprendiz de feiticeiro.
Fontes: Arab Human
Development Report, 2004. Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Nova Iorque, 2005. _______ * Universidade de Paris
VIII e Centro Marc Bloch (Berlim). Últimas obras publicadas: L’Orient
incandescent, Éditions Page deux, Lausana, 2003, e Le Choc des
barbaries, 10/18, Paris, reedição 2004. [1] Em média, a ajuda
estadunidense ao Egipto orça em 2 mil milhões de dólares por ano, dos quais
1,3 mil milhões de dólares de ajuda militar – eloquente prioridade num país
onde reina uma grande miséria! [2] PNUD (com parceiros
árabes), Arab Human Development Report 2004. Towards Freedom in the Arab World, Abril 2005. [3] Gilbert Achcar, Le nouveau
masque de la politique américaine au Proche-Orient [ed. brasileira: A nova máscara da política norte-americana], Le Monde diplomatique,
Abril de 2004. [4] O relatório de 2002, um
balanço geral do desenvolvimento humano no mundo árabe, identificou três
grandes problemas: o conhecimento, a liberdade e o estatuto das mulheres. O relatório de 2003 foi
dedicado à «construção de uma sociedade do conhecimento». O relatório de 2005
incidirá sobre a questão feminina. [5] Ronald Inglehart, The Worldviews
of Islamic Publics In Global Perspective, 2005 [pdf] (World Values
Survey). (Ler A opinião pública muçulmana rejeita a
democracia?, Le Monde diplomatique, Julho 2005). [6] O célebre professor
da Universidade de Princeton, Bernard Lewis, refutou ele próprio
vigorosamente, em muitos trabalhos, a tese da incompatibilidade entre o islão
e a democracia – ainda há pouco em Freedom
and Justice in the Modern Middle East, Foreign Affairs, vol. 84, n.º 3,
Maio-Junho de 2005. É certo que no seu caso se trata sobretudo de justificar
a intervenção musculada dos Estados Unidos no Médio Oriente – ele apoiou a
invasão do Iraque e preconizou a subversão do regime iraniano – em nome da
democracia, nova versão da “missão civilizadora” dos tempos coloniais. [7] Ler Olfa Lamloum, Al-Jazira, miroir rebelle et ambigu du monde arabe, La Découverte, Paris, 2004. [8] Este artigo
limita-se ao mundo árabe, mas a constatação estende-se à política
estadunidense em todo o mundo muçulmano e mesmo para além deste. Ler, a este
propósito, o artigo de David Sanger, “There’s Democracy, and There’s an Oil
Pipeline”, The New York Times, Nova
Iorque, 29 de Maio de 2005. [9] Ler “Le monde arabe
orphelin de la démocratie”, Le Monde diplomatique, Junho de 1997, onde se exprimia uma opinião
semelhante à do relatório do PNUD no respeitante às forças exteriores do
despotismo árabe. [10] Ahmad Salamatian, Os xiitas divididos entre Teerão e Bagdade, Le Monde
diplomatique, Julho de 2005. [11] Os debates que
esta abertura de Washington suscita na corrente dos Irmãos Muçulmanos podem
ser seguidos em www.islamonline.net. |