Informação Alternativa

Médio Oriente

Abril 2005

 

Ocupação e democracia

 

Alain Gresh

Le Monde diplomatique

 

A Síria tem que aplicar a resolução das Nações Unidas «que exige uma retirada total das suas tropas do Líbano (...). A deslocação de tropas anunciada por Assad é cosmética. E é inaceitável». Assim respondeu Sylvan Shalom a 6 de Março de 2005, ao discurso proferido pelo presidente sírio no dia anterior. A 8 de Março, o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros declarou que «o povo libanês quer a sua liberdade». Por seu lado, os presidentes Jacques Chirac e George W. Bush reclamaram a partida das tropas sírias do Líbano antes da realização das eleições legislativas de Maio, de modo a que estas possam desenrolar­­­‑se sem quaisquer pressões.

 

Quem não se congratularia com tal clareza de princípios, com tal apego ao direito internacional, ao princípio da autodeterminação dos povos e à democracia? Ninguém duvida que, em conformidade com este espírito de sujeição às resoluções das Nações Unidas, Sylvan Shalom se prepara para anunciar a retirada das tropas israelitas dos Golãs sírios, de toda a Cisjordânia, de Gaza e de Jerusalém Oriental, territórios ocupados há mais de trinta e seis anos, e que Israel não se contentará com uma retirada «cosmética» de Gaza. Ninguém duvida também que os presidentes francês e norte-americano se preparam para denunciar as eleições iraquianas, que decorreram num contexto de ocupação, e para exigir, com a firmeza que lhes é reconhecida e com o universalismo que caracteriza as suas tornadas de posição, a retirada das tropas israelitas dos Territórios Ocupados, a fim de permitir que as eleições legislativas palestinianas previstas para o mês de Julho possam desenrolar­‑se sem ingerências externas. Ninguém duvida igualmente que George W. Bush se prepara para destituir o seu ministro da Defesa, Donald Rumsfeld, que participa em Bagdade nas negociações sobre a formação do novo governo, e se opõe, nomeadamente, a que sejam os eleitos a escolher o ministro responsável pelo Conselho de Segurança Nacional. O que é válido para o Líbano também o é para o Iraque e a Palestina... ou não?

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