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15/03/2006 Mais complacência, não! Os media difundiram a imagem pelo mundo: prisioneiros políticos
palestinianos de roupas na mão, escoltados por soldados do Tsahal, o exército
israelita, após o assalto que realizaram à prisão de Jericó, até então sob
monitorização norte-americana e britânica. A humilhação é indissociável da
agressão. Do mesmo modo, esta é inseparável da inusitada retirada dos
observadores internacionais. E esta ocorreu, não por razões de segurança, mas
porque na campanha eleitoral em Israel, o Kadima está a perder nas intenções
de voto. Os factos falam por si: trinta minutos depois do abandono, entrou o
exército. Em território sob administração palestiniana, unilateralmente; e
numa prisão sob acordo internacional, unilateralmente. No assalto morreram pessoas. No rescaldo, fizeram-se reféns. Tudo
previsível, sempre previsível. Na Terra Prometida, não cabem os milagres. Mas
sobra, e muito justamente, a indignação. O presidente palestiniano encontrava-se em Estrasburgo para
discursar hoje no Parlamento. Não o pode fazer. Como foram vãs as suas
tentativas para evitar a catástrofe. Mahmoud Abbas conhecia as pressões
israelitas. Ofereceu uma solução: o retorno do secretário-geral da FPLP à
Muqata, onde já estivera durante o isolamento a que Israel submeteu Arafat.
Aí continuaria detido, apesar de deputado eleito, com garantia de que não
fugiria. Mas o actual primeiro-ministro e candidato às próximas eleições,
preferiu o que o jornal Libération definiu como raid eleitoral. Ehud
Olmert imita o pior de Ariel Sharom. Nesta operação terrorista, visa votos,
mas não só. Visa igualmente o enfraquecimento de quantos na Palestina
procuram uma solução política para o conflito. Visa também provocar o partido
que ganhou as eleições, o Hamas, a ver se este “descarrila”. E visa atingir a
mais importante das organizações laicas da esquerda palestiniana, para que
esta ponha fim à trégua. E com tudo isto, justificar a continuação do
unilateralismo e da ocupação de terra palestiniana. Nada disto é, uma vez mais, novidade. Em bom rigor, é o resultado das complacências acumuladas a ocidente com Israel. O Kadima sente-se seguro com os EUA. Estes sempre cobriram o comportamento militar de Telaviv. Também não precisou de testar a posição britânica, uma vez que a coordenação de movimentos ultrapassa os limites de qualquer coincidência. Na realidade, o governo israelita testa a União Europeia e as suas eternas hesitações. Veremos nos próximos dias se esta estará à altura do desafio. Até hoje... |