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Médio
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Fevereiro 2006 Democracia sem Estado O partido islâmico venceu as eleições na Palestina. Com limpeza, sem
chapeladas ou imposição de força. Numa campanha eleitoral que é exemplo para
todo o Médio Oriente. Nos territórios sob administração da Autoridade
Palestiniana (AP) ainda não existe um Estado. Mas já há democracia. Neste
paradoxo se explica a vitória do Hamas. O Hamas vence porque não há Estado, mas ocupação. E não há Estado
porque o Processo de Paz não o garantiu. Quando G. W. Bush e Javier Solana
exigem que o Hamas reconheça Israel, convém que se saiba que Israel nunca
reconheceu o direito dos palestinianos a um Estado soberano. Não há
reciprocidade. Enquanto escrevo, a Euro News passa imagens do desmantelamento de um
“colonato ilegal” na Cisjordânia. A notícia refere que 103 destas novas
ocupações ocorreram desde que Ariel Sharom se decidiu pelo unilateralismo. E
uma juíza israelita confirma que estes “postos avançados” contaram com a
cumplicidade do exército e dos ministérios de Telavive. Enquanto encorajava
ocupações selvagens e acelerava a construção do muro, o falcão que os media
transformaram em pomba, procedeu à retirada unilateral de Gaza – assestando
numa AP exausta e impotente, aquilo a que Leila Shahid, embaixadora na UE,
classificou de «golpe de misericórdia». A comunidade internacional foi incapaz de sancionar o ocupante pelo seu unilateralismo. Percebe agora como o fracasso do Processo de Paz reforçou a vontade de mudança na Palestina. Que ela se expresse no islamismo político, não é boa notícia. É uma sanção à irresponsabilidade internacional e ao compadrio e autoritarismo que grassavam no maior dos partidos seculares da Palestina – a Fatah. |