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02/11/2005 Israel usa choques ultra-sónicos contra palestinianos Guila Flint Israel adoptou uma nova arma contra os palestinianos da Faixa de
Gaza: estrondos ultra-sónicos causados de maneira propositada, por voos de aviões
da Força Aérea Israelense. Nesta quarta-feira, a organização israelense Médicos pelos Direitos
Humanos entrou com um recurso urgente na Suprema Corte de Justiça de Israel
exigindo que o tribunal ordene o fim imediato da prática. No recurso, a organização menciona que os choques ultra-sónicos
provocam a quebra de janelas e que, segundo fontes médicas palestinas, houve
um aumento do número de abortos e de queixas de problemas de audição,
aparentemente, por causa dos voos. «Desde que saímos da Faixa de Gaza, temos que procurar novos meios
para dissuadir os terroristas de lançar foguetes contra o território
israelense, esses voos são uma mensagem não-violenta», disse uma porta-voz do
Exército israelense, a capitã Yael Hartman, à BBC Brasil. «Os choques ultra-sónicos são um meio eficaz e totalmente
inofensivo, pois não causam danos, mas a população palestina fica amedrontada
com os estrondos e pressiona os terroristas a pararem de lançar foguetes»,
afirmou Hartman. A advogada da organização Médicos pelos Direitos Humanos, Yohanna
Lerman, disse que espera que a Corte Suprema aceite o recurso e ponha um fim
a essa nova táctica do exército israelense. «Trata-se de um caso claro de punição colectiva, que é proibida pela
lei internacional, e acredito que nesse caso os juízes vão aceitar o nosso
apelo e instruir o ministro da Defesa, Shaul Mofaz, a parar com os estrondos
ultra‑sónicos sobre a Faixa de Gaza». Segundo a previsão da advogada, os juízes deverão discutir o recurso
nos próximos dias. GUERRA PSICOLÓGICA O director do Centro de Saúde Mental da Faixa de Gaza, o psiquiatra
Eyad El Sarraj, acusa Israel de causar sérios danos à população palestina e
afirma que os estrondos ultra-sónicos prejudicam a saúde física e mental de
um milhão e meio de habitantes da área. «Desde que os colonos israelenses saíram da Faixa de Gaza, Israel
começou a usar essa táctica sem precedentes contra a população civil
palestina», disse ele. «Os caças israelenses realizam voos baixos sobre a área, em alta velocidade,
quebrando propositadamente a barreira do som, a qualquer hora do dia ou da
noite». «A população fica apavorada, principalmente as crianças que não têm
a capacidade de distinguir entre bombardeios reais e estrondos ultra-sónicos»,
disse o psiquiatra à BBC Brasil. «As crianças interpretam barulhos fortes como um sinal de perigo
imediato e entram num estado de ansiedade e pânico», explicou o Dr. Sarraj. «As crianças perdem o apetite e a capacidade de se concentrar nos
estudos, têm medo de se distanciar de seus pais e de ir à escola e não
conseguem dormir à noite. Ultimamente tenho visto muitas crianças aturdidas e
desorientadas». De acordo com o psiquiatra palestino, essa nova táctica faz parte de
uma «guerra psicológica» de Israel contra os palestinianos. «Israel quer reduzir‑nos ao estado de animais apavorados
dentro de uma jaula. A Faixa de Gaza é como uma jaula pois todas as saídas
são controladas por Israel e agora, com esses choques ultra‑sónicos,
eles colocam‑nos num contínuo sobressalto». «É uma maneira de sinalizar que embora tenha retirado os seus colonos e soldados, Israel continua a controlar a região», disse ele. |