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27/12/2006 60%
das notícias sobre política são induzidas por fontes profissionais, indica
estudo Lusa;
retirado de RTP Mais de 60 por cento das
notícias sobre política dos quatro maiores diários portugueses são induzidas
por fontes profissionais, revela um estudo recentemente apresentado na
Universidade do Porto. O estudo, correspondente à
tese de mestrado do docente da Universidade do Porto Vasco Ribeiro, indica
que apenas 28 por cento das notícias das secções de política são resultado de
iniciativa dos jornalistas, enquanto nas 11 por cento restantes não foi
possível identificar quem motivou a cobertura noticiosa. Vasco Ribeiro, que foi
assessor de comunicação do ex-presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso e do
candidato socialista à mesma autarquia Francisco Assis, analisou as secções
de política do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Correio
da Manhã e Público em semanas interpoladas de quatro anos: 1990,
1995, 2000 e 2005. O investigador concluiu que
cerca de 60 por cento do noticiário político é dominado pelas fontes do
Governo e dos partidos representados na Assembleia da República, dando os
jornais analisados a mesma visibilidade às forças políticas no poder e na
oposição. «Prova-se, assim, que os
quatro grandes diários portugueses tratam com equidade jornalística os dois
grandes pesos da balança política: poder e oposição, embora esta última esteja
dividida em vários partidos», salienta Vasco Ribeiro. O agora director de
comunicação da Reitoria da Universidade do Porto concluiu também que «os
jornalistas portugueses são cuidadosos e comedidos no que concerne aos graus
de confidencialidade utilizados na construção de notícias», dado que 80 por
cento do noticiário político impresso tem fonte atribuída. Diário de Notícias e Público
«são os que mais recorrem a fontes anónimas», o que, para o investigador, significa
que estes dois jornais «de referência» são os que mais «procuram fugir à
informação intencionalmente colocada no espaço público». Estes dois diários são também
os que apresentam maior índice de cobertura noticiosa por iniciativa própria,
evidenciando «menor predisposição para o “jornalismo de secretária”, que
consiste na recepção passiva da informação proveniente das fontes
profissionais». Vasco Ribeiro concluiu ainda
que mais de 90 por cento dos «fornecedores» de informação identificados são
fontes oficiais, registando-se um «exíguo protagonismo» do cidadão anónimo,
enquanto fonte, no noticiário político dos quatro diários. «A população praticamente só
é alvo de exposição mediática durante as campanhas eleitorais e por motivos
pouco lisonjeiros», afirma, salientando que, tal como na televisão, os cidadãos
anónimos surgem na imprensa «tão‑só para ornamentar e ritmar as
notícias». Outro dado resultante do
estudo é a «incapacidade do consumidor das notícias de detectar a intervenção
dos técnicos de comunicação e relações públicas na construção das mesmas»,
porque «só em 1,3 por cento do total das notícias analisadas foram
identificadas fontes profissionais de informação». «É fácil imaginar, a partir
do que conhecemos do funcionamento das redacções e dos dados obtidos nesta
investigação, que, quando prepara a agenda para o dia seguinte, o editor
rodeia-se de uma imensa pilha de notas de imprensa, comunicados, convites e
dossiês que chegam, sofisticadamente, aos jornais», refere Vasco Ribeiro. O investigador realça que «a assessoria de imprensa tem vindo, progressivamente, a apurar as suas técnicas e ferramentas de trabalho», cruzando-se com áreas como o marketing, gestão, multimédia, audiometria, linguística e o próprio jornalismo, tornando mais eficazes as estratégias de persuasão. |