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27/11/2006 A
penúltima montagem dos meios de comunicação venezuelanos Pascual Serrano No passado dia 14 de Novembro,
foi apresentada em Caracas em conferência de imprensa uma sondagem pré‑eleitoral
promovida pela fundação CEPS, com sede em Espanha, e dirigida por vários
professores do grupo de Investigação “Globalização e Movimentos Sociais”
(GMS), da Universidade Complutense de Madrid, em colaboração com a empresa
venezuelana Veneopsa. A profissional que a apresentou foi a investigadora Carolina
Bescansa da Universidade Complutense. O resultado do estudo apresentava uma
diferença de entre 15 e 20 por cento na expectativa de voto de Hugo Chávez em
relação ao segundo, Manuel Rosales. Alguns meios de comunicação
da oposição indignaram-se com o resultado desfavorável ao seu candidato, e
decidiram apresentar a sua própria “investigação jornalística” sobre a
legitimidade da investigação e os profissionais. Dois dias depois, a 16 de Novembro,
no programa da Globovisión “Aló Ciudadano”, cujo nome pretende arremedar o
programa semanal de Chávez Aló Presidente, a presentadora María Isabel
Párraga tenta desautorizar a professora afirmando que é falso que seja
investigadora da Universidade Complutense de Madrid. Para isso, ao vivo a
partir do cenário, entra na Internet e dirige‑se ao site oficial da
Universidade madrilena. A partir dali digita “Carolina Descansa”, isto é,
substituindo o apelido Bescansa por Descansa, comprova que – evidentemente –
não aparece no site da Universidade nenhuma professora com esse nome e assim
afirma à audiência do programa que essa pessoa não é professora da
Complutense. Não volta a tentar com o nome dos outros dois professores que
participaram no projecto, mas sim com Javier Cazalis, o director executivo da
empresa venezuelana que tinha colaborado no estudo. Logicamente, não aparece
como professor da Universidade Complutense. Deste modo, mediante a mudança do
apelido na sua busca, a jornalista “demonstra” a usurpação dos responsáveis
como falsos professores madrilenos. As operações manipuladoras
dos meios de comunicação venezuelanos são sempre bem coordenadas entre vários
deles. No dia seguinte, a 17 de novembro, o editorial do diário El
Nacional retoma a denúncia dos que denomina “impostores” e cita o nome da
professora espanhola como “Carolina Bescans”. Já não substituem o B por um D,
mas eliminam o “a” do final para o caso de ocorrer a algum avisado leitor
procurar o nome no site da Universidade ou simplesmente no Google e descobrir
a verdade. Seguem-no na denúncia outros meios de imprensa como El Nuevo
País ou 2001. No jornal El Universal
de 19 de Novembro, a virulenta jornalista opositora Marta Colomina escreve
sobre «os falsos números, da falsa sondagem, da falsa universidade Complutense,
destes pícaros espanhóis». A verdade foi desmontada pela
própria Universidade Complutense no dia 23 de Novembro, no denominado “Informe
del Grupo de Investigación de la Universidad Complutense de Madrid al que
pertenece Carolina Bescansa, a propósito de la reciente encuesta sobre
intención de voto en las elecciones venezolanas” [“Relatório do Grupo de
Investigação da Universidade Complutense de Madrid ao qual pertence Carolina
Bescansa, a propósito da recente sondagem sobre as intenções de voto nas
eleições venezuelanas”]. Este documento, elaborado em Madrid por Montserrat
Galcerán e Mario Domínguez, coordenadores do grupo de Investigação
“Globalização e Movimentos Sociais” (GMS) é iniciado afirmando que «perante o
tumulto provocado pela desqualificação brutal de que foi objecto a recente
sondagem sobre as intenções de voto nas próximas eleições venezuelanas,
tornada pública pela investigadora principal Sra. Carolina Bescansa
Hernandez, os abaixo assinados, co-directores do grupo de investigação da
Universidade Complutense de Madrid ao qual pertence a dita professora, querem
fazer constar o seguinte». A seguir denunciam que «o facto
de desprestigiar a equipa da nossa Universidade, dizendo que a doutora
Carolina “Descansa” (em lugar de Bescansa) e a equipa que respalda o dito
estudo não faz parte dessa Instituição, simplesmente porque não gostam das
conclusões, ou insinuar que a primeira responsável deste estudo ou bem não
existe ou bem é uma assalariada de uma tendência política em particular, são
atitudes pouco sérias que envilecem a profissão jornalística». Além disso, reconhecem
a credibilidade e rigor do estudo e lamentam «profundamente o descrédito que
tais artimanhas tentam projectar sobre o nosso trabalho e as instituições a
que pertencemos, algo que só podemos explicar como resultado do clima
crispado com o qual a oposição ao presidente Chávez está a tentar turvar todo
o processo eleitoral». É só um exemplo dos métodos toscos de mentira e engano nos meios de comunicação da Venezuela. É fácil imaginar a credibilidade que podem merecer quando difundem as suas críticas ao governo de Hugo Chávez ou a inútil esperança em que alguma vez informem com veracidade do que acontece nesse país. |