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27/09/2006 Os
esforços do Le Monde para desacreditar a Resistência iraquiana Na sua edição de 23 de
Setembro de 2006, o Le Monde consagra um artigo à apresentação de
relatórios da Comissão dos Direitos Humanos da ONU que quantificam o aumento do
número de civis mortos no Iraque e assinalam a generalização da tortura,
inclusive nos centros de detenção oficiais, sublinhando a responsabilidade do
governo e das forças da Coligação. Para isso, o secretariado da
redacção do Le Monde compilou despachos das agências AP e AFP e
acrescentou um subtítulo e um título. O subtítulo, “Iraque:
violências intercomunitárias, torturas e raptos”, estabelece que as
violências resultam das rivalidades intercomunitárias como se o país não
estivesse ocupado por forças estrangeiras. O título, “A guerrilha
iraquiana transforma reféns em kamikazes, segundo o ministro da Defesa”,
introduz duas palavras que não se encontravam nos despachos originais: “guerrilha”
e “kamikaze”. Para o dicionário Hachette, a
palavra “guerrilha” significa «pequeno grupo de partisans». Para o Le
Monde, o termo abrange os três grupos designados nos despachos como a «rebelião»
(isto é, a Resistência à ocupação), o «banditismo» (os criminosos de direito
comum) e os «esquadrões da morte» (os colaboradores da ocupação). Para o dicionário Hachette, a
palavra “kamikaze” designa «o piloto de um avião japonês carregado de
explosivos que ele fazia voluntariamente embater sobre os navios inimigos».
Por extensão, aplica-se a qualquer combatente que empreende uma acção militar
sacrificando deliberadamente a sua vida. Para o Le Monde, deve
ter um significado bem diferente, já que se faz referência no artigo às
declarações de Saadun Al-Duleimi, segundo o qual a rebelião armadilha os
veículos dos reféns que liberta e despoleta depois explosões à distância.
Para o ministro da Defesa iraquiano, é evidente que os reféns libertados não
foram “devolvidos”, mas servem sem querer para transportar bombas para as
zonas “securizadas”. Com esta formulação enviesada e estes desvios semânticos, o subtítulo e o título do diário atlantista francês de centro‑esquerda iliba as forças estrangeiras de qualquer responsabilidade nas violências, nos raptos e nas torturas, colando à Resistência uma imagem de fanatismo. [1] ________ [1] A título de exemplo: «70% das bombas de qualquer tipo explodidas no Iraque em Julho de 2006 tiveram por alvo as tropas estrangeiras de ocupação e 20% os novos corpos de segurança iraquianos; os 10% restantes corresponderam a ataques indiscriminados ou sectários contra civis, dos quais a resistência não se considera responsável». Cf. Carlos Varea, O número de ataques da resistência duplicou em 2006, Iraqsolidaridad, 06/09/2006. (n. IA) |