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21/07/2006 Uma
carta ao director para dois prémios Nobel Pascual Serrano Hoje, 21 de Julho, o diário El
País publica um texto [1] assinado por dois prémios Nobel da Literatura, José
Saramago e Harold Pinter. Junto a eles, os escritores de prestígio
internacional John Berger e Noam Chomsky. O escrito titula-se “Em defesa do
povo palestiniano” e só mereceu a consideração de uma Carta ao director por
parte dos responsáveis do diário. Em pleno massacre de um povo,
de uma guerra regional que afecta vários países e toda a região, da crise no Conselho
de Segurança da ONU, e milhares de cidadãos manifestando‑se nas ruas,
o pronunciamento de quatro escritores de prestígio internacional, dois deles
prémios Nobel de Literatura, só cabe como Carta ao Director se se posicionam
ao lado dos fracos, os palestinianos. Foi muito diferente no ano de
2003, quando Saramago escreveu umas breves linhas criticando umas condenações
à morte em Cuba. Então mereceu um privilegiado espaço como artigo de opinião
no diário madrileno, foi recolhido ademais em todos os meios e agências. Hoje
não; uma carta ao director, como a dessa senhora que escreve ao jornal para
se queixar dos ruídos nocturnos do camião municipal do lixo. Os grandes meios decidem hoje
que opiniões merecem ser conhecidas e quais são silenciadas. Não importa que
a voz seja de prémios Nobel, a denúncia de um genocídio e as pessoas manifestando‑se
aos milhares na rua; se não lhes agrada, restará apenas um espaço em Cartas
ao Director. Mas ter-se-ão enganado
diários como El País, só conseguirão afundar‑se no
desprestigio. Porque muitos cidadãos compreenderão a miséria dos seus
critérios de publicação e porque milhares de meios de comunicação
alternativos darão o lugar que merecem às vozes honestas para que possam
chegar onde os grandes meios de comunicação não queriam que chegassem. E assim,
miséria a miséria, patranha a patranha, ir-se-ão ficando esses meios de
comunicação cada vez mais isolados, mal acompanhados pelos seus accionistas
bancários e financeiros, os seus anunciantes de automóveis e de
telecomunicações, e pelos gabinetes de imprensa dos partidos políticos que
ainda acreditem que o que acontece no mundo é o que se diz nesses meios de
comunicação. ______ [1] John Berger, Noam Chomsky, Harold Pinter e José Saramago, Em defesa do povo palestiniano. |