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11/05/2006 The
New Republic: Mahmoud Ahmadinejad é o Diabo encarnado Cédric
Housez
A diabolização do adversário
é a base de qualquer preparação da opinião pública para um conflito.
Apresentá‑lo como intrinsecamente mau oferece em si uma legitimação da
guerra excluindo de facto qualquer possibilidade de coexistência com
ele. Antes dos conflitos no Iraque ou na Jugoslávia, Saddam Hussein ou
Slobodan Milosevic tinham assim sido apresentados pela imprensa belicosa como
novas encarnações de Adolf Hitler ou de José Stalin. Doravante, é o Irão que
está na linha de mira e o seu presidente Mahmoud Amadinejad é objecto de uma
campanha de estigmatização intensa. O jornal sionista de esquerda
estadunidense The New Republic participa neste movimento diabolizando,
literalmente, Mahmoud Ahmadinejad na capa do seu número de 24 de Abril de
2006. Aí se vê o presidente iraniano enfeitado de dentes predadores, de um
olhar vicioso e de orelhas pontiagudas sob o título “Os Demónios de
Ahmadinejad” (“Ahmadinejad’s Demons”). Este artigo do jornalista
Matthias Küntzel descreve os Basiji, um movimento nacionalista e religioso
iraniano nascido durante o conflito Iraque‑Irão que apoia o novo
presidente. Embora o artigo de M. Küntzel apresente Mahmoud Ahmadinejad sob
um ângulo muito negativo, não justifica esta iconografia ou este título
provocador, que parece ser mais uma escolha editorial da redacção do que uma
ilustração evidente do trabalho do jornalista.
Diabolizar o
adversário Já em 1990, The New Republic se encarregou de
fazer assemelhar Saddam Hussein a Adolf Hitler, retocando-lhe
o bigode. Notem que este artigo não é um fenómeno isolado. O anterior primeiro‑ministro israelita declarou a 8 de Abril numa entrevista à Rádio Israel que Ahmadinejad «representa o Diabo, não Deus». Além disso, a partir de falsificações de citações do presidente iraniano, os fundamentalistas cristãos sionistas, que vêem na constituição de Israel um sinal do próximo regresso de Cristo, afirmam que Mahmoud Ahmadinejad quer destruir Jerusalém para impedir este regresso e erigem a guerra contra o Irão em imperativo religioso para todos os cristãos. |