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26/04/2006 O
diário regional [galego] La Voz de Galicia censura das suas páginas Ignacio Ramonet e Ramón Chao Pascual Serrano Depois de ter conseguido o despedimento do director de La Voz de Galicia, Bieito Rubido, o proprietário deste diário, Santiago Rey, prescindiu da colaboração de Ignacio Ramonet e Ramón Chao. Ambos assinavam na secção “Opinion” artigos semanais desde há vários anos. Nada foi comunicado a estes dois colaboradores; simplesmente foram deixados de publicar. Nenhuma explicação foi dada também aos leitores para justificar esta reacção autoritária que atenta contra a pluralidade de opinião. Ramonet e Chao consideram semelhante atitude como um acto de censura caciquista intolerável, alheia ao espírito pluralista de La Voz enquanto foi dirigida por Bieito Rubido. Nascido na localidade galega de Redondela, Ignacio Ramonet é director, em Paris, do mensário Le Monde diplomatique. Especialista em geopolítica e estratégia internacional e professor de teoria da comunicação na Universidade Denis Diderot de Paris, Ramonet é doutor em semiologia e em história da cultura pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, onde foi aluno de Roland Barthes. Fundador da ATTAC e um dos promotores do Fórum Social Mundial. Entre as suas obras destacam‑se Propagandas silenciosas, Um mundo sem rumo, A tirania da comunicação, Rebeldes, deuses e excluídos e Guerras do século XXI. Hoje apresenta em Madrid o seu último livro Fidel Castro, biografia a duas vozes. Ramón Chao também é galego, da localidade lucense de Villalba, é escritor, jornalista e músico. Pai do conhecido cantor Manu Chao. Em Paris dirigiu emissões radiofónicas em galego, que foram proibidas por Franco, e foi correspondente da revista Triunfo. Também trabalhou na imprensa e televisão francesas, como redactor do Serviço da América Latina da Rádio France International e colaborador de Le Monde diplomatique. Escreveu vários livros entre novelas e biografias, um deles escrito em galego, O camiño de Prisciliano, com a capa desenhada por Miquel Barceló. É membro do colectivo antiglobalização ATTAC. Ambos se caracterizaram por uma clara linha progressista nos seus trabalhos. As suas colunas de opinião em La Voz de Galicia eram para os leitores uma janela para a realidade e a verdade dos acontecimentos na América Latina, a cultura independente e os movimentos sociais. A sua censura neste diário galego pressupõe um novo apertar do torniquete na eliminação de toda a voz díscola e reivindicativa dos meios comerciais. _________ Se alguém quiser fazer chegar uma carta de protesto, solidariedade com os censurados ou a favor da liberdade de imprensa e contra a censura, pode enviá‑la ao presidente e amo de La Voz de Galicia, Santiago Rey, para o correio: chicha.carreiro@lavoz.es. |