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Informação Alternativa |
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Estados
Unidos da América |
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1967 Bertrand Russell Retirado de resistir.info O papel da imprensa ocidental
na controvérsia em torno do Vietnam tem sido importante e revelador. Foi a
partir dos jornais do Ocidente que eu deduzi, pela primeira vez, a
responsabilidade dos Estados Unidos e foi também através das mesmas
reportagens que comecei a aperceber-me do carácter bárbaro dessa guerra. A 21 de Outubro de 1962, por
exemplo, o New York Times declarava: «Americanos e vietnamitas
caminham lado a lado, lutam lado a lado e morrem lado a lado. É difícil ir
muito mais longe». Anteriormente, Momer Bigart,
destacado correspondente do New York Times, referira-se à «cega
brutalidade» da guerra. Num artigo publicado em 25 de Julho de 1962, Bigart
afirmava: «Os conselheiros americanos
assistiram à execução sumária de prisioneiros do Viet Cong. Encontraram
corpos carbonizados de mulheres e crianças em aldeias destruídas por bombas
de napalm». Na verdade, o emprego de
produtos químicos na guerra do Vietnam já havia sido relatado pelo New
York Times, no dia 1 de Janeiro de 1962. A 26 do mesmo mês e ano, o mesmo
jornal foi ao ponto de classificar de «programas de destruição das culturas»
o emprego de produtos químicos nos campos de mandioca e de arroz do Vietnam
do Sul. Apesar de muitos destes
artigos altamente reveladores aparecerem enterrados nas páginas interiores
dos jornais, uma leitura mais cuidadosa e diária da imprensa ocidental tornou
possível determinar o carácter desta guerra, com base em testemunhos e
documentação que não poderiam ser facilmente desmentidos. O método que
adoptei ao aceitar tal material foi o conhecido processo de “a prova contra o
interesse”. Parti do princípio de que o New York Times, nada ganhando
com tais artigos, certamente tinha por único motivo o desejo de publicar um
relato verdadeiro. Dificilmente alguém se porá a forjar testemunhos e provas contrários
aos seus interesses. Em breve descobri, porém, que
alguns jornais, mesmo publicando fragmentos de informação repletos de
horrores, não tinham qualquer intenção de elaborar uma visão coerente da
guerra com base nesses artigos, mas possuíam realmente a intenção de impedir
os outros de fazê-lo. A imprensa bem informada sabia que algo de seriamente
mau se passava com aquela guerra, contudo limitava-se a comentários anónimos
e a uma crítica superficial. Este procedimento preservou a sua posição “respeitável”
mas preparou o terreno para um posterior volte face, quando a primitiva
atitude ficou largamente desacreditada. (Quem considerar isto uma descrição
forçada do modo como a imprensa exerce o seu ofício, faria bem se recordasse
a atitude da imprensa para com os opositores noutros campos – por exemplo,
para com os primeiros discordantes do relatório da Comissão Warren). Repetidas vezes, a imprensa
adopta um tal comportamento vergonhoso em consequência da passividade do
público. A maior parte das pessoas não têm acesso aos factos em assuntos que
lhe despertam suspeitas nem, tampouco, dispõem de fontes que lhe permitam
reunir informações de maneira independente. Mesmo conseguindo vencer estes
obstáculos consideráveis, continua a não ter meios de comunicar ao público as
suas descobertas. Procurei superar tais dificuldades por três modos: em
primeiro lugar, através de um estudo completo da guerra tal como ela é
relatada em publicações ocidentais, vietnamitas e de outra proveniência; em
segundo lugar, enviando regularmente observadores, por intermédio da Fundação
Bertrand Russell para a Paz (Bertrand Russell Peace Foundation), a fim de
fazerem grandes percursos pela Indochina e regressarem com relatos em
primeira mão; e em terceiro lugar, erguendo a minha voz sempre que possível. Entretanto, aprendi certas
regras que devem ser respeitadas a ler-se os jornais: 1. Ler nas entrelinhas. 2. Não subestimar nunca o mal
de que são capazes os homens do poder. 3. Identificar o calão “terroristas”
em oposição a “acções de polícia” e fazer a respectiva tradução, sempre que
seja necessário. Os leitores já experimentados
na leitura dos jornais podem dar-se ao trabalho de compilar os seus próprios
glossários de termos usados pelo “nosso” lado e pelo lado “deles”. _________ * Capítulo do livro Crimes de Guerra no Vietnam, 1967. |