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Informação Alternativa |
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Estados
Unidos da América |
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Janeiro 2005 Harry
Magdoff; Bellamy Foster John Monthly Review; retirado
de resistir.info Um aspecto essencial de
qualquer moderna sociedade democrática é um sistema de comunicações que
aprimore o debate público ao invés de prejudicá-lo. Mas os mass media nas
sociedades capitalistas avançadas estão altamente concentrados, controlados
por uns poucos proprietários (acerca da extensão deste controle nos Estados
Unidos e suas implicações ver Robert W. McChesney, The Problem of the
Media [Monthly Review Press, 2004]. Além disso, os Estados Unidos têm
testemunhado a emergência daquilo que é indubitavelmente o mais refinado
sistema de propaganda já desenvolvido, tornando possível que o controle dos
media se traduza em poder para manobrar grandes partes da sociedade. O
entendimento deste problema é crucial se alguém quiser apreender as mudanças
que ocorrem na sociedade americana de hoje: desde a guerra até à privatização
e à supressão dos direitos humanos. A seguir à Primeira Guerra
Mundial algumas das principais figuras no desenvolvimento da moderna
investigação em comunicações nos Estados Unidos, tais como Walter Lippman e
Harold Lasswell, inauguraram a exploração das técnicas de propaganda,
argumentando que a manipulação de populações era necessária para administrar
formalmente sociedades democráticas. No fim de um capítulo sobre “Líderes e
recrutas” (“Leaders and the Rank and File”) no seu Public Opinion
(1922) Lippmann referiu-se à importância da “fabricação do consentimento”
pela elites numa democracia e afirmou que «o conhecimento de como fabricar
consentimento alterará todo o cálculo político e modificará toda a política
de persuasão». Lasswell foi mesmo mais explícito nos seus numerosos estudos
da propaganda, a começar pelo seu Propaganda Technique in the World War
(1927), muitas vezes fornecendo uma positiva abordagem “como fazer” para a
propaganda. Em termos de propaganda de guerra, Lasswell argumentou que os
objectivos primários na manipulação das mentes da própria população de um
país constituíam em estabelecer: (1) a “culpa da guerra” do inimigo; (2) a
natureza “satânica” do inimigo; e (3) “a ilusão da vitória”. «Todos os meios
específicos de conquistar o Primeiro Mal são e devem ser glorificados» pelo
propagandista. Na generalidade, a propaganda,
como explicou Lasswell em “Propaganda and Mass Insecurity” (Psychiatry,
Agosto 1950), devia ser entendida como «a fabricação de declarações
deliberadamente unilaterais para uma audiência de massa». A propaganda, neste
sentido, era necessária nas democracia a fim de guiar a opinião pública às
direcções favoráveis àqueles no poder num contexto que incluía acesso
generalizado à informação. Em contraste, Estados “totalitários” confiavam
menos na propaganda, neste sentido refinado, voltando‑se antes para o
comando, a cerimonia e a catarse. Assim, na obra de Lasswell e
outros, a propaganda tornou-se uma ferramenta refinada montada para
audiências de massa, sujeita aos massa media e controlada por aqueles com
poder económico e político. Estas ideias e aquelas relativas à organização
das comunicações em benefício das elites tornou-se enormemente influente no
treinamento de jornalistas profissionais, os quais, embora ensinados quanto a
padrões profissionais de objectividade em relação a disputas entre as
principais facções da classe dominante, têm no entanto de aprender a seguir
os viéses globais do establishment, interiorizando os valores
dominantes, se esperam ascender dentro da ordem institucional dos media. Tudo isto ajuda a entender o
modo quase contínuo em que se movem os media modernos entre as notícias e a
propaganda. As notícias relatadas sobre a actual Guerra do Iraque são
apresentadas como se fossem simples, lineares, relatos objectivos, ao invés
de estórias tão entrelaçadas com a propaganda de guerra que a informação e a
análise nelas contido estão comprometidas da cabeça aos pés. Um caso
ilustrativo é o modo como o “inimigo” é referido – descrito alternadamente
como “insurrectos” (“insurgents”), “militantes”, “terroristas”, “guerrilheiros”,
“rebeldes” e “extremistas islâmicos”. Quase nunca estes relatos se referem à “resistência
iraquiana” ou aos “mujahedeen” (guerreiros santos) – nomes que aqueles que
resistem à invasão e ocupação do Iraque utilizam para se referirem a si
próprios. O facto de que há nisto um
aspecto de propaganda consciente foi revelado pela resposta dos editores do Los
Angeles Times, em Novembro de 2003, quanto ao uso de “combatentes da
resistência” para descrever os iraquianos que se opõem às forças americanas
em relatos emitidos a partir da própria sucursal do Times em Bagdade.
Após uma reunião dos principais editores foi decidido banir qualquer
utilização de “combatentes da resistência” ou “resistência” para descrever as
guerrilhas iraquianas. Num memorando interno circulado pela Assistant
Managing Editor Melissa McCoy (posteriormente vazado para o sítio web LA
Observed), McCoy (como contado pela Reuters, 07/Nov/2003) disse
que «considerava “combatentes da resistência” uma descrição exacta dos
iraquianos que combatiam as tropas americanas», mas que isto evocava um senso
de heroísmo devido à forma «como a maior parte dos americanos conheceu tais
palavras», que evocam a resistência europeia aos invasores nazis na Segunda
Guerra Mundial. Consequentemente ordenou-se aos repórteres do LA Times
que as substituíssem por “insurrectos” ou “guerrilheiros”. O resto da grande imprensa
seguiu o exemplo, com “insurrectos” sendo de longe o modo preferido de
designar aqueles que os Estados Unidos estão a combater no Iraque. O termo “insurrecto” é o que Lasswell denominou um “símbolo negativo”. O Black’s Law Dictionary define um “insurrecto” como «uma pessoa que, por razões políticas, se empenha em hostilidade armada contra um governo estabelecido». Esta utilização, portanto, confere legitimidade ao aparelho de Estado existente (de acordo com a famosa definição de Estado fornecida por Max Weber, pela qual é aquela entidade com «um monopólio sobre o uso legítimo da força»), enquanto ao mesmo tempo nega qualquer legitimidade ao “insurrecto”. É a realidade de que não há “governo estabelecido” no Iraque – outro que não seja aquele que os Estados Unidos impuseram e mantêm pela força – que está a ser suprimida por esta simples escolha deliberada de palavras. |