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28/11/2005 Antiterrorismo Pascual Serrano Trata‑se de centros
secretos em 40 países onde opera a CIA distribuídos por todo mundo. Deles se
organizam operações de busca e captura de pessoas. O Governo Bush indicou em
várias ocasiões que “tirou de circulação uns 3.000” cidadãos, e um alto
comando da CIA disse há meses no Congresso que, praticamente, cada captura ou
liquidação de um suposto terrorista fora do Iraque desde Setembro de 2001 foi
resultado da colaboração com os serviços secretos de outros países. Revelou-o a 18 de Novembro The
Washington Post; anteriormente também informou da existência de centros
clandestinos da CIA para a detenção e interrogatório de suspeitos em pelo
menos oito países. Observe-se que se trata de operações secretas, que nada
têm que ver com as ordens judiciais, nem com a colaboração policial entre
países – Interpol –, nem com os acordos nem petições de extradição, nem com a
existência de advogados defensores, presunção de inocência ou habeas
corpus. São detenções ilegais,
reclusões, interrogatórios e torturas sem ordem judicial, nem advogados, nem
testemunhas e tudo em segredo. Em muitos casos, já corroborado por juízes de
vários países que pediram a detenção de agentes norte-americanos. Mas o que é
espectacular é que a quase totalidade dos meios de comunicação, a esses
centros de detenção ilegal e extrajudicial onde pessoas sobre as quais nenhum
juiz ordenou a sua detenção são enclausuradas, interrogadas e torturadas,
chamam-lhes “centros antiterroristas”. Veja-se: “A CIA tece uma rede
internacional antiterrorista” (El País), “A CIA mantém uma rede de
centros antiterroristas numa vintena de países” (La Vanguardia), “A
CIA estabeleceu centros de Inteligência conjuntos em mais de vinte países
para a luta contra o terrorismo” (Europa Press), “A CIA criou centros
secretos contra o terrorismo em mais de vinte países” (ABC), “A CIA
mantém uma rede de centros antiterroristas em mais de 20 países da Europa e da
Ásia (Cadena Ser), “A CIA mantém uma rede de centros antiterroristas
em mais de 20 países (Efe), e assim até mesmo os cubanos, “CIA financiou
centros antiterroristas numa vintena de países” (Prensa Latina e Granma). Os meios de comunicação praticamente sem excepção, adoptaram a terminologia desejada pela Administração Bush, que não é outra que a utilizada pelos ditadores Pinochet, Videla ou Stroessner quando se referiam aos seus centros de detenção e tortura e aplicavam a operação Condor que contabilizou 50.000 assassinatos e 35.000 desaparecidos no Cone Sul. Conseguiram que algo tão terrível como deter clandestinamente alguém, levá‑lo ilegalmente para outro país, interrogá-lo sem garantias legais e torturá-lo, seja denominado nas páginas de informação de todos os media “antiterrorismo”. Agora é quando penso que estamos pior do que nunca. |