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28/03/2005 Sim, Bernard Kouchner
mentia... Flash-back. Verão de 92, guerra na
Bósnia Herzegovina. Bernard Kouchner e os seus “Médicos do mundo” difundem na
imprensa e sobre os muros de Paris um cartaz publicitário impressionante e
dispendioso. A fotomontagem apresenta “prisioneiros” de um campo sérvio na
Bósnia Herzegovina. Atrás de arames farpados. Kouchner juntou a imagem de um mirador
de Auschwitz. O seu texto acusa os sérvios de «execuções em massa». Informação ou intoxicação?
Intoxicação, reconhece Kouchner doze anos mais tarde. O seu recente livro
autopublicitário, Les guerriers de la paix [Os guerreiros da paz],
relata uma entrevista com Izetbegovic (o dirigente nacionalista muçulmano no
poder à época em Sarajevo), no seu leito de morte: Kouchner: Eram lugares horríveis,
mas não se exterminava sistematicamente. Sabia‑o? Izetbegovic: Sim. A afirmação
era falsa. Não havia campo de extermínio qualquer que fosse o horror dos
lugares. Pensava que as minhas revelações poderiam precipitar os
bombardeamentos. Este mentira mediática fez
certamente pender a opinião para o apoio aos bombardeamentos. Toda a imprensa
ocidental tinha-a difundido maciçamente. Mas o recente desmentido passou sob
silêncio. O público não pode saber que foi enganado. A semi‑confissão de
Kouchner e este silêncio mediático colocam questões cruciais: 1° Kouchner sabia disso mais cedo? Resposta: Sim. A partir de
1993, um jornalista da France 2, Jacques Merlino, revelava a fraude num livro
de título eloquente, Toutes les vérités ne sont pas bonnes à dire [Nem
todas as verdades são boas para dizer]. Aí entrevistava o director da Ruder
Finn, agência de relações públicas dos EUA. O qual, muito orgulhoso,
confessava ter montado todas as peças da campanha dos “campos de extermínio”:
«Seduzimos três grandes organizações judaicas: B'nai B'rith, American Jewish
Committee e American Jewish Congress. Imediatamente, pudemos na opinião
pública fazer coincidir sérvios e nazis. O processo era complexo, ninguém compreendia
o que se passava na Jugoslávia, mas de um só golpe, podíamos apresentar um
caso simples com bons e maus. Mentindo, faz observar o
jornalista! Resposta: «Somos profissionais. Não somos pagos para fazer a
moral». Por conseguinte, Kouchner sabia há muito tempo e não é bonito – bonito
de no presente pôr toda a culpa sobre as costas de um morto. 2° Os meios de comunicação social enterraram as provas da fraude? Resposta: Sim. Um jornalista alemão, Thomas Deichman, mostrou a partir de 1994 que a imagem dos arames farpados era falsificada, que os “prisioneiros” não estavam enclausurados. Com efeito, ela era tirada de uma reportagem da ITN onde eles declaravam ser bem tratados, mas a jornalista tinha cortado estas declarações! Encontrar-se‑á o
cartaz de Kouchner, os comentários de Deichmann, e a nossa exposição da
falsificação no nosso livro Poker menteur. Datado de 1998. Por
conseguinte, não era necessário esperar até hoje para rectificar: http://www.michelcollon.info/display.php?image=img/tm/tm_yougo34.jpg Numa reportagem-vídeo, Sous
les bombes de l'Otan [Sob as bombas da NATO] (1999), também apresentámos
as imagens filmadas por uma televisão local, que demonstravam a trapaça da
reportagem da ITN. 3° Kouchner foi protegido, mesmo por “críticas de meios de comunicação social”? Resposta: Sim. Um exemplo: Daniel Schneidermann (Arrêts sur images, France 5) tinha-nos contactado sobre este caso, seguidamente afastou-nos do debate para não prejudicar Kouchner. Também não se questionou as suas
mentiras mediáticas sobre o Kosovo e o seu balanço catastrófico nesta
província. Dizemos bem: mentiras mediáticas, e não erros. O seu plano de
carreira que visava o posto de secretário-geral da ONU, fê‑lo dizer tudo
para agradar aos EUA. 4° Porque era necessário apresentar uma história «simples», mas falsa? Para esconder a
responsabilidade das grandes potências ocidentais neste conflito: - Desde 1979, a CIA alemã
apoiava extremistas para fazer estilhaçar a Jugoslávia. - Em 1989, o FMI tinha feito
a pressão neoliberal para eliminar a autogestão e os direitos laborais,
exacerbando a crise e os nacionalismos. - Em 1991, a Alemanha tinha
armado os extremistas croatas e muçulmanos antes da guerra. - De 1992 a 1995, os Estados
Unidos prolongaram deliberadamente o conflito, como atesta o enviado especial
europeu na Bósnia Herzegovina, lord Owen. http://www.michelcollon.info/reponses_tm.php - Por quais interesses, todas
estas manobras? Eliminar um sistema social demasiada à esquerda, mas também
controlar os estratégicos Balcãs e as rotas do petróleo. 5° Trata-se de negar todos os crimes cometidos? De forma alguma, mas quando os nossos governos procuram arrastar-nos através de uma propaganda de guerra do tipo “bons contra maus", é importante localizar os seus interesses escondidos. E as suas falsificações de informação. Por exemplo, tratando‑se de campos de prisioneiros na Bósnia Herzegovina, a ONU tinha contado seis croatas, dois sérvios e um muçulmano. E eram antes campos de agrupamento em vias de troca, e não campos de extermínio. Mas, sendo os nacionalistas croatas e muçulmanos “nossos” aliados, ou antes “nossos” agentes, Kouchner, Bernard‑Henri Lévy e outros convidados mediáticos permanentes branquearam‑nos mentirosamente. Seria necessário julgar os
criminosos de guerra. Todos os criminosos de guerra, em todos os campos. Mas
não por tribunais de treta erigidos por uma justiça dos vencedores onde os
EUA e a NATO se colocam automaticamente acima da lei e mesmo simplesmente
fora‑da‑lei dado que violam a Carta da ONU à força. 6° Houve outras mentiras mediáticas “bem sucedidas” nesta guerra? Sim. Só um exemplo. Quando a
OTAN começou a bombardear a Jugoslávia, em 1999, afirmou reagir ao que
chamava um «massacre de 40 civis» pelo exército jugoslavo, em Racak, aldeia
do Kosovo. Mas Belgrado falava de um combate entre dois exércitos, provocado
pelas forças separatistas albaneses. A ONU tinha encomendado um relatório a
uma comissão de legistas dirigido por uma doutora finlandesa, Madame Ranta.
Esta confirmou a tese de Belgrado. Mas nenhum meio de comunicação social
falou disso. A mentira mediática permanece intacta para a opinião pública. Porquê? Porque as mentiras mediáticas de Kouchner, da BHL e da CIA permitiram dividir a esquerda e impedi-la de se opor a uma guerra na realidade injusta. A opinião pública, trabalha-se. E da próxima vez, isso recomeçará. |