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13/07/2006 Arma de destruição maciça – Os terríveis efeitos do urânio empobrecido e a sua propagação no espaço e no tempo – Será tema duma iniciativa pública do
TMI-AP no próximo Outono Bud
Deraps * People’s Weekly World; retirado de TMI-AP
Este artigo vem ilustrado, na versão difundida pela Uruknet.info, com uma série de fotografias
impressionantes de bebés e crianças com malformações de nascença. Decidimos
deliberadamente não as incluir porque são realmente muito chocantes, deixando
a cada um a liberdade de decidir se as quer ver. A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que o Iraque, com cerca
de 26 milhões de habitantes, teve no ano 2000 um total de 195.374 novos casos
de cancro e 126.677 mortes devidas ao cancro, na sua maioria crianças. Entre 1990 e 1999 o número de cancros aumentou 242% no sul do Iraque
e o número de nascimentos com malformações aumentou dez vezes. Antes da Guerra do Golfo de 1991, as crianças eram apenas 13% dos
casos de cancro. Em 2002, 56% do total de casos de cancro eram crianças com
menos de 5 anos de idade. Dos 580.400 soldados dos EUA que serviram nas seis semanas da Guerra
do Golfo, 10.000 morreram até ao ano 2000 e 325.000 estão com incapacidade
permanente por lesões físicas ou psicológicas. Só 269 morreram em combate e
457 foram feridos. Em 2001, visitei o Hospital Pediátrico de Bassorá, no Iraque. Todas
as salas, átrios e corredores estavam a transbordar de crianças moribundas
com vários tipos de cancro. Muitas outras estavam a morrer de diarreia devido
à água poluída pelos esgotos. As estações de tratamento de águas tinham sido
bombardeadas durante a guerra. O bombardeamento de estações de tratamento de
águas, centrais eléctricas e similares é considerado crime pelas Nações
Unidas. O médico responsável disse-nos que todas aquelas crianças iam morrer
em resultado directo das sanções impostas pelos EUA. Nos termos dessas
sanções, não se poderiam obter medicamentos nem peças para reparar as
estações de água. Deu-nos dezenas de fotografias de centenas de bebés com
malformações de nascença daquela região. Aqui nos EUA, contactei o Birth Defect Research for Children
[Investigação a favor das Crianças com Malformações à Nascença]. Esta
organização comparou o número de malformações em crianças nascidas de
veteranos da Guerra do Golfo com a respectiva percentagem em relação à
família americana média. Essa investigação constatou cerca de três dúzias de
malformações à nascença geralmente provocadas por exposição a radiações e
revelou que os bebés nascidos de pais veteranos de guerra apresentavam entre
duas e quatro vezes mais casos de malformações específicas. O que pode estar na origem de todos esses cancros e malformações?
Peritos médicos de todo o mundo concordam que a causa é o urânio empobrecido
utilizado nas nossas armas e equipamentos militares, por mais que os
responsáveis do governo dos EUA declarem desconhecer a razão. Foi nos anos ’60 que o governo dos EUA começou a investigar maneiras
de utilizar as muitas toneladas de urânio residual das nossas centrais
nucleares e do fabrico das nossas armas atómicas. Misturaram o urânio com
outros metais e assim produziram a baixo custo o metal mais denso jamais
conhecido. Com muitas utilizações, desde a pequena artilharia até às maiores
bombas e à blindagem dos carros de combate, ele é capaz de penetrar
praticamente em tudo. Mas tem uma enorme desvantagem. Quando as armas ou os carros de
combate explodem, uma poeira de incontáveis milhões de partículas tóxicas de
urânio é dispersada no ar, no solo e nas águas, e ali ficará por milhares de
milhões de anos. Transportada pelos ventos e pelas tempestades de areia,
qualquer ínfima quantidade dessas partículas que seja inalada por alguém
certamente terá como resultado variados tipos de cancro. As partículas radioactivas também afectam directamente o DNA e o
sistema reprodutivo provocando qualquer uma de cerca de 3.000 malformações
conhecidas. Pelo menos 320 toneladas de urânio empobrecido foram utilizadas na
Guerra do Golfo, sobretudo no sul do Iraque. Desde 2003, usámos cerca de 2.000 toneladas – mais de seis vezes a
quantidade usada em 1991. As nossas tropas, o povo iraquiano inocente e as
crianças que ainda nem nasceram são as vítimas do uso ilegal e desumano de
urânio empobrecido pelo nosso governo. Estas sim, são armas de destruição
maciça. _______ * Bud Deraps é um veterano da Marinha da 2ª Guerra Mundial, residente em St. Louis. |