|
Informação Alternativa |
|
Iraque |
|
15/06/2006 Na Conferência
de Reitores das Universidades Públicas de Madrid (CRUMA) Reitores
condenam publicamente violência no Iraque e assassinato dos seus docentes universitários IraqSolidaridad; retirado de TMI-AP A Conferência de Reitores das Universidades Públicas de Madrid
(CRUMA), reunida em 12 de Junho passado, adoptou uma clara condenação da
violência no Iraque e dos assassinatos selectivos de que vêm sendo alvo os
seus docentes universitários. A declaração oficial é subscrita pelos reitores
das universidades Autónoma, Complutense, Alcalá de Henares, Politécnica,
Carlos III e Rey Juan Carlos I. O documento foi depois apresentado para
aprovação pela Conferência de Reitores das Universidades Públicas do Estado espanhol
(CRUE), a partir da Declaração Final do recente Seminário Internacional sobre
este assunto que decorreu em Madrid em 22 e 23 de Abril último, no qual o
TMI-AP esteve representado [1]. O TMI-AP congratula-se com esta importante tomada de posição e felicita
os companheiros da CEOSI pelo seu excelente trabalho junto das instituições
universitárias espanholas. É urgente que também nas universidades portuguesas
se tome consciência destes factos e se tenha a coragem de fazer pressão sobre
os responsáveis políticos. É o seguinte o teor da declaração aprovada pelos reitores de Madrid: Sobre a violência generalizada no Iraque e o assassinato
dos seus docentes universitários Documento aprovado na reunião da Conferencia de Reitores das
Universidades Públicas de Madrid (CRUMA) – Complutense, Autónoma, Alcalá de
Henares, Politécnica, Carlos III e Rey Juan Carlos – celebrada em Madrid a 12
de Junho de 2006 O Iraque sofre uma terrível situação de violência indiscriminada e
generalizada que cresce todos os dias e afecta todos e cada um dos sectores
da sua sociedade. Ao mesmo tempo que se afundaram as condições básicas de
vida da população, esta gravíssima espiral de terror está a propiciar um
processo de desestruturação interna que coloca a sociedade iraquiana à beira
do seu definitivo colapso. O Iraque, um país cimentado na enriquecedora
convivência das comunidades que o foram conformando ao longo da sua história
milenar, enfrenta hoje o seu efectivo desaparecimento numa explosão de
violência sectária. Particular transcendência para o futuro do país tem,
concretamente, o assassinato sistemático de professoras e professores
universitários. Em 14 de Abril último, o director-geral da UNESCO, Koichiro
Matsuura, denunciava o assassinato de docentes universitários iraquianos
desde o início da ocupação deste país em Abril de 2003 (Press Release,
n. 2006‑31). Em Outubro de 2005, o ministério do Ensino Superior
iraquiano reconhecia o assassinato de 146 docentes universitários durante
este período. Na actualidade, o número de professoras e professores
universitários assassinados no Iraque ultrapassa os 180, segundo atestam
diferentes fontes fiáveis, entre elas a Associação de Professores
Universitários do Iraque [2]. No passado dia 8 de Maio, o jornal diário
iraquiano az‑Zaman informava sobre a circulação, dentro do
Iraque, de uma nova lista de 461 intelectuais, cientistas e académicos
ameaçados de morte. Uma leitura atenta da lista disponível dos docentes assassinados
permite compreender a magnitude do problema: estão a ser assassinados
docentes em todas as universidades do país, pertencentes a todas as
especialidades académicas, sendo a maioria dos assassinados figuras altamente
qualificadas nas suas áreas, directores de Departamento e membros dos novos
órgãos universitários democraticamente eleitos. Além desta campanha sistemática de assassinatos contra docentes,
pela primeira vez dois carros‑bomba explodiram, no passado 24 de
Abril, na Universidade de Mustansiriya de Bagdade, provocando a morte de
cinco estudantes. Perante estes factos, a Conferência de Reitores das Universidades
Públicas de Madrid (CRUMA) acorda o seguinte: 1. Exprimir a sua extrema consternação e contundente condenação pela
terrível e generalizada violência que sofre o conjunto da sociedade iraquiana,
e em concreto a que afecta os docentes universitários iraquianos, gravíssimo
atentado contra o desenvolvimento futuro cultural e científico do país, e que
está a provocar a saída massiva de professores e professoras para o exterior
e o desmoronamento da instituição universitária. 2. Promover, nos fóruns internacionais competentes, a denúncia
destes factos e a adopção de medidas concretas de protecção do colectivo de
docentes universitários iraquianos, em concreto a UNESCO, a Federação
Internacional de Universidades e a Associação de Universidades Árabes no
contexto da Liga dos Estados Árabes. 3. Dirigir-se ao governo espanhol para que inste, por sua vez, as
autoridades iraquianas e os países com forças militares no Iraque para que
cumpram as suas obrigações relativas à protecção dos cidadãos iraquianos,
neste caso concreto do conjunto dos docentes universitários, e investiguem
eficazmente a campanha de assassinatos contra este dirigida. Ángel Gabilondo Pujol, Reitor da Universidade Autónoma de Madrid María Jesús Sastre Arranz, Reitor da Universidade Complutense de
Madrid Virgilio Zapatero Gómez, Reitor da Universidade de Alcalá de Henares Javier Uceda Antolín, Reitor da Universidade Politécnica de Madrid Gregorio Peces-Barba Martínez, Reitor da Universidade Carlos III de
Madrid Pedro González-Trevijano, Reitor da Universidade Rey Juan Carlos I
de Madrid _______ [1] Ver TMI-AP, Seminário internacional realizado em Madrid: Testemunhos e Declaração Final, 02/06/2006. [2] Ver Lista de docentes universitarios asesinados en Iraq durante el período de ocupación da CEOSI. |