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14/05/2006 Reino Unido: Milhares de soldados sofrem problemas psíquicos depois do Iraque Milhares de soldados britânicos sofreram sérios problemas mentais
depois de terem prestado serviço no Iraque, segundo um estudo financiado pelo
Ministério da Defesa e cujo conteúdo é hoje revelado pelo semanário The
Observer. A investigação, que será publicada esta semana e que foi realizada
por especialistas da Universidade King’s College de Londres, analisa o
impacto psicológico da guerra nos militares do Reino Unido destacados no
Iraque. Segundo The Observer, o estudo revela que alguns transtornos,
como a depressão, a ansiedade ou o stress pós‑traumático, têm
aumentado “de forma espectacular” entre os soldados britânicos desde o início
do conflito, há três anos. Os especialistas do King’s College concluíram que a incidência de
doenças mentais entre os militares britânicos é maior do que indicam as
estatísticas do Ministério da Defesa. De acordo com os números do Governo britânico, apenas 1,5 por cento
dos soldados enviados para o Iraque, ou seja menos de 1.400, foram evacuados
por causa de problemas psiquiátricos graves. A investigação também afirma que esse fenómeno supera os efeitos
causados pela guerra do Iraque de 1991, quando milhares de efectivos das
Forças Armadas britânicas reclamaram que sofriam do chamado “Síndrome da
Guerra do Golfo”, de causa desconhecida e com sintomas como a fadiga, febres,
náuseas ou depressão. Entre os motivos que provocam a depressão ou o stress pós‑traumático
dos militares estão os contínuos atentados suicidas e ataques rebeldes, assim
como a crescente desilusão entre os soldados pelo estado de quase guerra
civil que se vive no Iraque. Este estudo realizado pelo King’s College de Londres é considerado o mais amplo alguma vez feito naquele país e foi feito a partir de entrevistas a soldados que participaram, em 2003, na invasão do Iraque e a militares que participaram depois em trabalhos de “manutenção de paz”. |