Informação Alternativa

Europa

Março 2006

 

E os jovens...

 

Armelle Racinoux

Le Monde diplomatique

 

Nas três últimas décadas foram tomadas, tanto por governo de direita como de esquerda, trinta e cinco medidas consideradas a favor dos jovens. Sendo impossível listá-las todas, registam-se as que marcaram uma degradação da protecção dos menores de 26 anos.

 

PACTO NACIONAL DE EMPREGO – 1977. O governo de Raymond Barre lança a primeira fórmula de contrato de duração determinada destinado aos jovens desempregados, associado a medidas de isenção de contribuições patronais.

 

ESTÁGIO DE INSERÇÃO NA VIDA PROFISSIONAL (SIVP) – 1983. Instaurado pelo governo de Pierre Mauroy, este estágio é remunerado com valores entre um terço e metade do salário mínimo interprofissional de crescimento (SMIC), não pagando a empresa contribuições sociais. É a primeira tentativa de criação de um “SMIC­‑jovens”. A contestação destes SIVP leva à sua eliminação em 1988.

 

TRABALHOS DE UTILIDADE COLECTIVA (TUC) – 1984. O governo de Laurent Fabius cria estes “pequenos trabalhos” de vinte horas semanais, pagos a menos de meio-SMIC. Os TUC estão excluídos do direito social comum (aposentação, subsídio de desemprego), excepção feita à cobertura em caso de doença, que é assegurada pelo Estado. A contestação leva ao seu desaparecimento em 1989.

 

CONTRATO EMPREGO-SOLIDARIEDADE (CES) – 1989. Michel Rocard substitui os TUC por contratos de um máximo de dois anos no sector público não lucrativo, com um tempo de trabalho fixado em vinte horas por semana. Para além da exoneração das contribuições patronais, o Estado assume o essencial da remuneração do assalariado. É a primeira vez que tal acontece.

 

CONTRATO DE INSERÇÃO PROFISSIONAL (CIP) – 1993. Inventado pelo governo de Edouard Balladur, este contrato destina­‑se aos jovens qualificados (até dois anos de estudos pós-secundários), pagos a 80 por cento do SMIC. É instaurado o “SMIC-jovem”, mas algumas semanas mais tarde é retirado, face às manifestações dos estudantes.

 

EMPREGOS-JOVENS – 1997. Preparados por Lionel Jospin, estes contratos estão reservados aos sectores público e associativo, sendo pagos, seja qual for a qualificação, com base no SMIC horário, com exoneração das contribuições patronais e pagamento do salário a 80 por cento pelo Estado. A inovação consiste no alargamento da base de recrutamento à faixa dos 26-30 anos.

 

CONTRATO JOVEM NA EMPRESA (CJE) E CONTRATO DE INSERÇÃO NA VIDA SOCIAL (CIVIS) – 2002 E 2003. Preparados por Jean-Pierre Raffarin para substituir os empregos-jovens, então eliminados, estes dois contratos incluem todas as disposições precedentes (exoneração de contribuições, assunção de uma parte do salário...).

 

CONTRATO PRIMEIRO EMPREGO (CPE) – 2006. Nova fórmula inventada por Dominique de Villepin para todos os jovens com menos de 26 anos, qualificados ou não. O empregador, para além de beneficiar de todas as vantagens habituais, durante dois anos pode despedir o jovem contratado, quando quiser e sem qualquer motivo – algo que desde 1973 é proibido pelo Código de Trabalho.

 

Estas constantes medidas não impediram que o desemprego dos menores de 26 anos passasse oficialmente de 11,3 por cento em 1977 para perto de 23 por cento actualmente. Aos poucos, os jovens foram postos fora do direito comum do trabalho, sendo pagos abaixo do salário mínimo mensal e precarizados. Até o presidente da Veolia Environnement, Henri Proglio [1], reconhece que isto constitui um problema e que doravante há que «revalorizar o contrato de duração indeterminada como forma normal de contratação».

 

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[1] “A inserção dos jovens saídos do ensino superior”, relatório do governo que começou por ser mantido em segredo e foi depois tornado público, a 20 de Fevereiro.