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11/05/2007 Julio Godoy Uma operação nacional na Alemanha contra activistas de esquerda
acusados de terrorismo e planear distúrbios por ocasião da cúpula do Grupo
dos Oito países mais poderosos no próximo mês é parte de uma grande campanha
oficial para sufocar todo protesto durante o encontro. Cerca de 900 polícias
invadiram na quarta‑feira casas e escritórios de vários activistas de
esquerda suspeitos de planearem distúrbios durante a reunião do G‑8,
que acontecerá entre 6 e 8 de Junho em Heiligendamm, no mar Báltico, cerca de
200 quilómetros a nordeste de Berlim. As invasões aconteceram no norte e nordeste do país e,
principalmente, em Berlim, Hamburgo, Bremen e outras cidades dos Estados
federais de Baixa Saxónia, Brandenburgo e Schleswig-Holstein. A polícia
identificou 20 pessoas como principais suspeitas, mas esclareceu que não
houve detenções. Também desbaratou conexões via Internet e apreendeu
computadores e documentos relacionados com supostos protestos previstos para
acontecerem durante a cúpula. «Grupos de extrema esquerda e seus membros são suspeitos de fundar
uma organização terrorista ou pertencerem a uma com o único objectivo de
orquestrar ataques com bomba e outros tipos de actos violentos para perturbar
ou evitar a realização do encontro do G-8», diz o comunicado da Procuradoria.
Esse órgão também acusou as organizações de esquerda de cometerem vários
ataques menores nos últimos meses. O ministro do Interior, Wolfgang Schaeuble, anunciou que o governo
vai reforçar os controles na fronteira para evitar a entrada de manifestantes
estrangeiros violentos. «As medidas de segurança incluem controles em vários
pontos de fronteira para evitar a entrada na Alemanha de delinquentes
potenciais e outros que possam recorrer à violência», disse Schaeuble. «Será
dada atenção especial aos violentos activistas antiglobalização»,
acrescentou. A operação foi parte de uma série de medidas de segurança
dispostas pelo ministro na sua luta declarada contra o terrorismo. Schaebule propôs recorrer ao exército, autorizar a interceptação de conexões
de Internet e ampliar a utilização de dados biométricos nos documentos
pessoais de identidade. O ministro também pediu autorização para abater
aviões comerciais sobre território alemão no caso de terem sido sequestrados.
«Na luta contra o terrorismo não vale a presunção de inocência. Isso
significaria que vou permitir 10 atentados terroristas em lugar de deter uma
pessoa que pudesse não estar envolvida com nenhum delito», disse o ministro
em entrevista ao semanário Stern. Entretanto, negou intenções de eliminar as liberdades civis.
«Considero a lei e o nosso sistema constitucional como defensores da
liberdade. É um dever fundamental do Estado defender e garantir a nossa
segurança e a nossa liberdade», disse. Schaeuble advertiu várias vezes nos
últimos meses que a Alemanha corre sérios riscos de ser alvo de ataques
orquestrados por organizações terroristas islâmicas. Mas nem todos pensam
como ele. O comissário federal para as liberdades civis, Peter Schaar,
qualificou os planos de Schaeuble de «desproporcionados ataques contra os
nossos direitos. Estamos a desmantelar o império da lei garantido pela
Constituição alemã», afirmou. Schaar lamentou que muitas das ideias de
Schaeuble já tenham tomado forma. «Numerosos inocentes já estão sob suspeita
por utilizar a Internet ou telefones. O simples facto de utilizar as
telecomunicações basta para me converter em um delinquente potencial»,
afirmou. Na cúpula de Junho, os chefes de Estado e de governo do G-8
(Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e
Rússia) reunir‑se‑ão para discutir assuntos como comércio
internacional, aquecimento global e ajuda económica para a África. Também
participarão da cúpula chefes de governo dos cinco países com as maiores economias
emergentes: Brasil, China, Índia, México e África do Sul. Espera‑se
que cerca de cem mil activistas estrangeiros e alemães participem de
manifestações em zonas próximas de Heiligendamm contra o que as organizações
de esquerda chamam de políticas neoliberais. As autoridades construíram uma barreira de betão e arame farpado de
12 quilómetros, ao custo de 17 milhões de dólares, em volta do lugar onde a
cúpula acontecerá. Haverá cerca de 16 mil polícias e mais de 1.100 soldados a
cuidar da segurança do cerco e de manter os manifestantes a vários
quilómetros da reunião. Nove navios de guerra vão patrulhar as águas que
banham Heiligendamm. |