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29/08/2006
3,2 por cento Pedro Miguel De acordo com um estudo
de Caixa Catalunya [1], na década 1995-2005 a chegada de imigrantes a Espanha
impulsionou em 3,2 por cento o crescimento do produto interno bruto do país.
Sem a imigração, sustenta o documento, o PIB per capita ter-se-ia reduzido em
0,6 por cento ao ano em vez de crescer, como o fez, em 2,6 por cento. Não é caso único. Na
maior parte dos países europeus o crescimento económico registado nos últimos
anos converter-se-ia em decrescimento se lhe subtraíssemos a contribuição dos
estrangeiros: sem eles, a economia da Alemanha teria experimentado um
crescimento negativo de –1,5 por cento e a de Itália, de –1,2. No seu
conjunto, a União Europeia, que teve um aumento anual médio de 1,79 do PIB
per capita entre 1994 e 2005, teria perdido em cada ano 0,23 por cento do
tamanho da sua economia se não tivesse recebido qualquer imigração. Em termos demográficos,
os estrangeiros contribuíram para 76 por cento do incremento populacional,
com 11 milhões 900 mil dos 15 milhões 700 mil novos habitantes. Na Alemanha e
na Itália, a chegada de imigrantes tem contrariado inclusive as tendências
para a diminuição, em termos absolutos, da população local (El Mundo, 28 de Agosto). Não é provável que os
governantes dos países ricos (nos Estados Unidos seguramente ocorre algo
similar, ainda que não haja dados) desconheçam estes factos, nem que,
conhecendo‑os, estejam decididos a evitar que cresçam as economias das
suas respectivas nações. No entanto, na porção próspera do mundo, as
políticas orientadas a impedir, perseguir e penalizar a imigração acentuam-se
de dia para dia e, com elas, o chamado “custo humano” do fenómeno: a
proibição de livre trânsito traduz-se de maneira quotidiana em inúmeros seres
humanos afogados, baleados, queimados, presos, deportados, torturados e
humilhados, tanto nas ribeiras do rio Bravo como no Estreito de Gibraltar,
tanto na costa do Pacífico centro‑americano como no norte de África. O velho continente e os
Estados Unidos impulsionaram e impuseram uma globalização impiedosa para,
depois, transformarem os seus territórios em enormes fortalezas medievais. Há
que deter a todo o custo esses novos bárbaros esfarrapados que chegam às
ondas, com uma mão atrás e outra à frente, para impulsionar a produtividade,
o consumo e o crescimento económico em geral. Há que conseguir a todo o custo
que no imaginário colectivo o trabalhador estrangeiro seja identificado como
terrorista, violador, ladrão, traficante de drogas. Há que investir parte
desse crescimento económico, conseguido graças aos migrantes, em novos dispositivos
electrónicos de vigilância, em armas de fogo e em barcos patrulheiros para
que tornem a tarefa um pouco mais difícil aos novos aspirantes e aumentem as
suas possibilidades de morrer na tentativa. O despropósito da
perseguição de migrantes é um dos exemplos mais grotescos e ofensivos da
irracionalidade em que naufraga o mundo contemporâneo. Dizem aqueles que
mandam nele – isto é, os donos reais e políticos das economias desenvolvidas
– que a ideia consiste em estabelecer regras mais racionais, modos mais
humanistas e formas mais benéficas de exercer o poder. Talvez um dia destes o
consigam. _______ [1] Informe semestral I/2006:
Economía española y contexto internacional (pdf, 740
Kb), que inclui (págs. 107‑120)
um estudo
(pdf, 207 Kb) sobre o impacto da imigração no crescimento do PIB. Elaborado
pelo Serviço de Estudos da Caixa Catalunya, com a colaboração da equipa de
investigação do Departamento de Economia Aplicada da Universidade Autónoma de
Barcelona, dirigida pelo catedrático de Economia Aplicada Josep Oliver Alonso.
Julho de 2006. Relatos sobre o estudo em Portugal: Eduardo Moura, Queridos
emigrantes, Jornal de Negócios, 30/08/2006; ACIME, Imigrantes
contribuem para crescimento da economia portuguesa, 30/08/2006; Alexandra
Figueira, Portugal
teria perdido riqueza sem imigrantes, JN, 30/08/2006. (n. IA) |