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06/04/2006 Os trabalhadores em luta! Rui Paz Por toda a Europa alastram as lutas sociais. Não é só na França,
onde os média não puderam esconder o caudal de protestos e os milhões de
manifestantes que têm desfilado em mais de centena e meia de cidades. Também
na Alemanha, já há dois meses que dezenas de milhares de trabalhadores da
função pública têm vindo a suspender a actividade para impedir o aumento do
horário de trabalho. Na metalurgia iniciou-se uma onda de greves de aviso
para exigir novos aumentos salariais. Na Grécia, a 15 de Março, a
Confederação dos Trabalhadores (GSEE) e a União de Empregados Civis (ADEDY) convocaram
uma greve geral de 24 horas contra a supressão das convenções colectivas à
qual se associaram os jornalistas e que paralisou a generalidade dos serviços
públicos. No dia 28 de Março foi a vez da Grã‑Bretanha. As escolas
fecharam, os comboios e os barcos pararam, os caixotes do lixo ficaram por
despejar devido à greve dos funcionários camarários. Mais de um milhão de
trabalhadores cessaram o trabalho em sinal de protesto contra o aumento da
idade para usufruir do direito à reforma. Segundo o jornal francês Les
Echos (29.3.06) desde 1926 que não se verificava neste sector uma luta de
tão grande amplitude. Em Portugal milhares de jovens participaram
recentemente na manifestação convocada pela Interjovem para exigir melhores
salários, respeito pelos direitos laborais, formação profissional e segurança
social universal. No sábado seguiram-se as manifestações de Lisboa e do Porto
convocadas pela CGTP-Intersindical. À semelhança de outros continentes, também na Europa capitalista os
trabalhadores e os povos estão em luta contra uma política que agride
directamente a dignidade humana, nega aos cidadãos o direito de viver do seu
trabalho e visa destruir a ordem constitucional da maioria dos estados, que,
como Portugal, se libertaram do fascismo, de regimes que configuravam a
ditadura terrorista dos monopólios. Ao ascenso das lutas sociais, os detentores do poder respondem com a
repressão. Na Alemanha está-se a desenterrar a prática fascizante das
interdições profissionais por motivos ideológicos. O anticomunismo de Estado
já está a atingir todos os sectores da esquerda. Não são só os comunistas,
mas também o ex-presidente da social-democracia, Lafontaine, e outros
deputados que estão a ser observados e seguidos pelos serviços secretos por
criticarem o enfeudamento do SPD ao grande capital e ao imperialismo.
Sindicalistas em greve estão a ser despedidos, como aconteceu ainda
recentemente na Clínica Universitária da cidade de Duisburgo. Proíbem-se as
greves de solidariedade, com o consentimento do SPD, por serem consideradas
«greves políticas». Em França é o neofascista Le Pen a exigir a aplicação do
mesmo princípio às greves contra o «Contrato Primeiro Emprego» declarando-as
«ilegais» por serem igualmente «greves políticas» (Le Monde,
30.03.06). Ainda não há muito tempo, no início dos anos noventa, os propagandistas do capitalismo proclamavam uma nova época de abundância, de liberdade e de segurança, e glorificavam o sistema como o fim da história, o expoente máximo da democracia. Mas o capital tem vindo a mostrar cada vez mais a sua verdadeira face desumana e opressora. Desde a resistência contra o fascismo que a defesa dos direitos sociais e laborais não aparecia tão intimamente associada à luta pelas liberdades democráticas e pela soberania popular. A cassete neoliberal com que os trabalhadores são diariamente bombardeados pelos governantes e os média das oligarquias dos mercados em muitos casos já não produz os efeitos esperados. Se a soberania reside no povo como é que o capital detém tanto poder? Eis uma questão que ganha cada vez mais importância à medida que se intensificam as lutas dos trabalhadores e dos povos por toda a Europa. É uma questão central e decisiva para o futuro da democracia. |