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05/09/2006 Nokia e Dell obtêm “luz verde” no ranking da Greenpeace; a Apple está no vermelho Aaron Glantz Consumidores interessados em comprar aparelhos electrónicos livres de toxinas deviam considerar comprar produtos fabricados pela Nokia e pela Dell, afirma o grupo ambientalista Greenpeace no seu novo “Guia para produtos electrónicos mais verdes”, que classifica companhias quanto ao uso de químicos prejudiciais e reciclagem de desperdícios electrónicos. A Motorola sedeada no Illinois e a Lenovo de Hong-Kong (que fabrica o Thinkpad da IBM) foram estimadas como as mais ambientalmente destrutivas, enquanto os fabricantes de computadores Acer e Apple também pontuaram perto do fim da lista. «Só a Dell e a Nokia roçaram uma posição minimamente respeitável enquanto a Apple, a Motorola e a Lenovo chumbaram no teste», afirmou a Greenpeace num comunicado que marcou o lançamento do guia. «Recomendamos que as pessoas apoiem as mudanças efectuadas pela Dell e pela Nokia para se tornarem mais amigas do ambiente», disse Zeina al‑Hajj do grupo ambientalista à Oneworld. «Elas são muito melhores comparadas com aquelas que estão no fim da lista». O terceiro lugar foi para a Hewlett-Packard, seguido da Sony Ericsson (4º), Samsung (5º), Sony (6º), LG Electronics (7º), Panasonic (8º), Toshiba (9º), Fujitsu Siemens Computers (10º), Apple (11º), Acer (12º) e Motorola (13º). A Nokia ganhou louvores particulares por introduzir produtos livres de químicos tóxicos. Desde o final de 2005, todos os novos modelos dos seus telemóveis são livres de polivinil clorídrico (PVC), uma forma de plástico usado em fios insulados que liberta dioxinas causadoras de cancros quando é incinerado. Também, com início em 2007, todos os novos componentes Nokia estarão livres de retardadores de chamas bromados (BFRs [das siglas em inglês]). Esses químicos, que são regularmente usados em quadros de circuitos e caixas de plástico, não se quebram facilmente e elevam-se no ambiente. A exposição a longo prazo, diz a Greenpeace, pode levar a depreciações nas aprendizagens e nas funções de memória. Os BFRs também interferem com a tiróide e com o sistema hormonal do estrogéneo. A exposição no útero foi ligada a problemas comportamentais. Zeina al-Hajj da Greenpeace foi especialmente crítica quanto à Motorola. «A Motorola foi a única companhia de telemóveis que observámos que não tem um plano para uma mudança futura no uso de químicos», afirmou ela. «Os concorrentes da Motorola – Nokia, LG, Sony Ericsson – comprometeram-se e estão a começar a mexer-se. A Motorola nem sequer tem uma política de eventualmente parar de usar químicos perigosos». A companhia de telecomunicações respondeu num comunicado «A política da Motorola é corresponder a ou exceder todos os requerimentos ambientais aplicáveis, de saúde, segurança, legalidade e outros, nos países onde fazemos negócios», declarou. «Pensamos que a avaliação [da Greenpeace] fornece uma imagem incompleta do verdadeiro desempenho ambiental da companhia». Um declaração similar veio da Lenovo, o pior grande fabricante de computadores do mundo, de acordo com o ranking da Greenpeace. O grupo ambiental disse que a Lenovo nem sequer mantém o rasto de quantas toxinas usa ou monitoriza os seus subcontratados para verificar como eles lidam com os desperdícios. «A Lenovo está comprometida numa liderança ambiental em todas as suas actividades de negócios, desde as suas operações ao design dos seus produtos e ao uso da sua tecnologia», declarou a companhia. «A política empresarial da Lenovo em relação aos assuntos ambientais é apoiada pelo sistema de gestão ambiental da companhia, o qual é o elemento chave nos esforços da companhia para atingir resultados consistentes com a liderança ambiental e assegura que a companhia é vigilante na protecção do ambiente através de todas as suas operações mundiais». O relatório da Greenpeace também levantou preocupações acerca da reciclagem de componentes informáticos usados. A maioria dos fabricantes contrata terceiras entidades na China ou na Índia, que despejam o lixo informático frequentemente tóxico no solo com poucas ou nenhumas precauções de segurança. «Apenas a HP tornou público o seu plano de reciclagem», disse al‑Hajj. «E só estão a reciclar 10% do seu lixo». A Greenpeace está optimista que o seu relatório ajudará a melhorar a situação. «Fizemos isto para dar aos consumidores uma ideia das políticas ambientais das companhias e dos seus planos para o futuro», disse al-Hajj. As companhias têm a oportunidade de avançar a favor de uma posição mais verde já que o guia será actualizado a cada trimestre, disse o grupo ambiental. «No entanto, pontos de penalização serão deduzidos da pontuação final se apanharmos uma companhia a mentir, a praticar duplos critérios ou [a dedicar‑se a] outras condutas impróprias». Traduzido por Bruno Teixeira |