Informação Alternativa

América Latina

19/05/2006

 

Soja destrói Amazónia

 

Adital

 

Na última sexta-feira, 12, o Greenpeace bloqueou o porto da Cargill, em Santarém, no Estado do Pará, e impediu o descarregamento de soja amazónica. As actividades da empresa ficaram paralisadas por três horas e meia. A soja, que é exportada para a Europa como alimento animal, é cultivada em áreas desmatadas da floresta amazónica.

 

Segundo o Greenpeace, cinco alpinistas subiram nas pontes do porto e permaneceram até serem expulsos violentamente por funcionários da multinacional. Três pessoas da organização foram feridas: uma activista estadunidense que caiu da ponte enquanto segurava uma faixa com os dizeres “Fora Cargill”, um activista que foi atirado à água, e um fotógrafo alemão que foi atingido por um rojão no peito. Um grupo de 12 voluntários do Greenpeace foi detido pela Polícia Federal.

 

Cerca de 40 sojeiros estiveram na porta da Polícia Federal ameaçando os activistas, mas foram dispersados pela polícia. Um outro grupo invadiu o navio do Greenpeace Arctic Sunrise, mas também foi removido pela polícia. Além disso, outros sojeiros no cais fizeram repetidos atentados atirando pedras, paus e fogos de artifício ao navio, além de picharem a embarcação da organização.

 

«Empresas estadunidenses como a Cargill estão a devorar a Amazónia para cultivar soja. A carne alimentada com essa soja termina nas prateleiras dos supermercados e restaurantes fast food pela Europa e outros países. Os nossos voluntários continuarão a protestar pacificamente para proteger a floresta tropical mais preciosa do mundo que está a ser destruída para alimentar frangos, porcos e vacas», disse Paulo Adário, coordenador da Campanha da Amazónia do Greenpeace.

 

A soja é agora uma das causas principais do desmatamento da Amazónia brasileira. No total, uma área estimada em 1,2 milhões de hectares do que costumava ser floresta já foi – na sua maioria ilegalmente – destruída para o cultivo de grãos de soja. Os sojeiros também estão envolvidos em actividades ilegais como apropriação de terra e escravidão.

 

Recentes investigações do Greenpeace reunidas no relatório Comendo a Amazónia mostram que o porto da Cargill não é apenas ilegal, como também está a ser responsável por levar soja de desmatamento ilegal para o mercado mundial. Eles operam 13 silos no bioma amazónico – mais que qualquer outra companhia.

 

«Empresas estadunidenses como a Cargill devem parar de ver a Amazónia como um lugar onde expandir os seus negócios de soja. Ao invés disso, devem vê-la como uma das maiores florestas tropicais do mundo que precisa urgentemente de protecção», disse Gavin Edwards, coordenador da campanha de Florestas do Greenpeace Internacional.

 

A Cargill também não faz segredo sobre o facto de ajudar a estabelecer sojeiros na Amazónia, alguns dos quais envolvidos em outras actividades ilegais, como grilagem e escravidão. A multinacional diz que agora está a fazer esforço para não comprar soja de sojeiros ligados a trabalho escravo, desmatamento ilegal e massivo, mas, em reunião com o Greenpeace neste mês, a empresa recusou­‑se a parar de destruir a Amazónia.

 

Nas últimas semanas, o Greenpeace fez acções na Europa contra importadores de soja que importam da Cargill na Amazónia, incluindo a tentativa de evitar que navios de soja descarregassem em Amsterdão. O Greenpeace exige que a Cargill e a indústria alimentícia europeia garantam que a alimentação animal que eles compram não contribua para a destruição da Amazónia e que nenhum dos seus produtos da soja seja geneticamente modificado.