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22/11/2005 Biocombustíveis: florestas
pagam o preço Fred Pearce New Scientist; retirado de resistir.info O impulso para a “energia
verde” no mundo desenvolvido está a ter o efeito perverso de fomentar a
destruição das florestas húmidas tropicais. Desde as reservas de orangotangos
no Bornéu até à Amazónia brasileira, florestas virgens estão a ser arrasadas
a fim de produzir óleo de palma e soja para abastecer automóveis e centrais
de energia eléctrica na Europa e na América do Norte. A escalada de preços
provavelmente acelerará a destruição. A pressa em produzir energia
a partir de óleos vegetais está a ser impulsionada, em parte, por directivas
da União Europeia que obrigam a misturar biocombustíveis aos combustíveis
convencionais, e também por subsídios equivalentes a cerca de 20 pence (0,30
€) por litro. Na semana passada, o governo britânico anunciou a meta de que
os biocombustíveis deveriam atingir 5% nos transportes até 2010. O objectivo
é ajudar a cumprir as metas do protocolo de Quioto quanto à redução das
emissões dos gases de efeito estufa. A procura crescente de
energia verde levou a um aumento súbito do preço internacional de óleo de
palma com consequências potencialmente danosas. «A expansão da produção de
óleo de palma é uma das principais causas de destruição de florestas húmidas
no sudeste asiático. É um dos produtos que maior dano ambiental provoca no
planeta», afirma Simon Counsell, director da Rainforest Foundation com sede
no Reino Unido. «Mais uma vez, parece que estamos a tentar resolver os nossos
problemas ambientais despejando-os nos países em vias de desenvolvimento,
onde eles têm efeitos devastadores sobre a população local». A principal alternativa ao óleo de palma é o de soja. Mas a soja é a maior causa de destruição da floresta húmida na Amazónia brasileira. Apoiantes dos biocombustíveis argumentam que eles podem ser “neutros no ciclo do carbono” porque o CO2 libertado na sua queima é reabsorvido na plantação seguinte. O interesse é maior nos motores de ciclo diesel, que podem funcionar sem modificações também com óleos vegetais, e na Alemanha a produção de biodiesel duplicou desde 2003. Também há planos para a queima de óleo de palma em centrais eléctricas. Até há pouco tempo, o pequeno
mercado europeu de biocombustíveis era dominado pela produção local de óleo
de colza (canola). Mas a procura acrescida no mercado alimentar também fez
aumentar o preço de óleo de colza. Isto levou os fabricantes de combustível a
optarem pelo óleo de palma e de soja, em substituição. Os preços de óleo de
palma saltaram então 10% só no mês de Setembro e prevê-se que subam 20% no
próximo ano, enquanto a procura global por biocombustíveis está agora a
crescer à taxa de 25% ao ano. Roger Higman, da associação Amigos da Terra do Reino Unido, que apoia os biocombustíveis, diz: «Precisamos assegurar que as colheitas usadas para fazer o combustível foram cultivadas de um modo sustentável ou então teremos as florestas húmidas deitadas abaixo para dar lugar a plantações de óleo de palma destinado a fabricar biodiesel». |