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31/03/2005 Os extremos da Terra Qualquer um querendo uma visão de como o mundo pode parecer daqui a cinquenta anos pode hoje ir e ficar na fronteira entre a República Dominicana e o Haiti. No lado dominicano irá ver um país luxuriante, pesadamente florestado, o resultado de cuidadosos esforços de conservação e alguma acção brutal tomada contra madeireiros ilegais. No lado haitiano da fronteira irá ver um desastre ecológico, de maciça erosão dos solos e desflorestação, o resultado da extrema pobreza, do colapso do governo e do caos que adveio dos prolongados distúrbios civis. A dicotomia dos panoramas na face do observador é similar ás escolhas que agora temos pela frente perante o ambiente mundial, baseado em cenários pintados por um relatório altamente credível divulgado ontem sob os auspícios das Nações Unidas. A Avaliação Ecossistémica do Milênio, um trabalho de 1.300 cientistas em 95 países durante os últimos quatro anos. Para ser claro: esta avaliação simplesmente não começa e acaba com os discutíveis (para alguns, embora não para este jornal) efeitos do aquecimento global ou mudanças climáticas. Lida mais com o impacto na terra de uma espécie de mamífero que contribuiu com mais veneno e fez mais estragos no planeta do que qualquer outro. Nos últimos 50 anos, reporta, a raça humana extraiu pesadamente os recursos naturais da terra – tanto que em algumas áreas o planeta está em perigo de tornar‑se estéril, deixando aos nossos descendentes um débito ambiental para pagar que fará parecer pequena a crise das pensões, e reverter todos os melhores esforços para erguer os pobres do mundo para fora da pobreza. Os detalhes do relatório são coisas de pesadelos. Os efeitos são lentos e frequentemente incertos no seu impacto. Mas, como sempre, permanece a questão do que deve ser feito. Pouco prestável, a avaliação não é clara o suficiente em como proteger os ecossistemas remanescentes. Contém algumas sugestões úteis, como a necessidade de incluir indicadores ambientais dos países nos cáculos nacionais, tratando os ecossistemas como recursos tão vitais como a educação e as infra‑estruturas de saúde. Mas o mais importante é a necessidade de agir para pelo menos preservar o que temos agora. Nenhum dos maiores partidos nas próximas eleições está a prometer o tipo de políticas que serão requeridas, como endurecer os objectivos nas emissões de dióxido de carbono, incentivos fiscais para as famílias e negócios para usarem fontes de energia renováveis, ou abolir os desnecessários subsídios agrícolas que são a relíquia dispendiosa duma era passada. Tecnologia e mudanças
voluntárias, incrementais de estilo de vida não serão suficientes, como os
nossos netos seguramente nos recordarão um dia. |