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Mundo

19/10/2004

 

O crédito ecológico do Sul

 

Daniela Stefano

ALAI

No Canadá, dois cientistas desenvolveram o conceito de “pegadas ecológicas”, ou seja, um instrumento para medir a superfície em equitares que um indivíduo ou país está a ocupar de acordo com o seu estilo de vida. Isso inclui o lugar que você precisa para viver, para a produção do seu alimento, para a exploração da energia, etc. Os pesquisadores concluíram que 1,7 hectares é suficiente para que cada pessoa no planeta viva bem. No entanto, os países do Norte usam muito mais do que a justa divisão da Terra. Na Europa, por exemplo, a pegada ecológica de cada pessoa é de, em média, cinco hectares. Na Bélgica, a média é de 6,7 e nos Estados Unidos chega a 9,7 hectares por pessoa. Com base nestes números, os expositores do debate sobre a dívida ecológica, durante o IV Seminário Internacional sobre débito e lei, chegaram à conclusão de que o que os países desenvolvidos precisam pagar em troca dos recursos ecológicos mostra que os países do Sul são credores e não devedores.

O físico indiano Vinod Raina, mostrou ainda os números do consumo de carbono no mundo. A média necessária per capita é de 1,37 toneladas por ano. Enquanto nos Estados Unidos se consome 5,37 toneladas per capita, na Etiópia este número é de apenas 0,01 ton/capita/ano.

Raina analisou ainda os fluxos da globalização e os custos ecológicos dos mesmos. De acordo com ele, tais fluxos são humano, capital, material e poluentes, mas que igualdade, justiça e direitos humanos são quase nulos em tais fluxos.

Leida Rijnhout, da Plataforma Flamenga de Desenvolvimento Sustentável (VODO) propõe que a Bélgica e os demais países do norte mudem os seus padrões de consumo e produção. «Muitas pessoas dizem que somos idealistas em pensarmos que podemos mudar o mundo, mas estou convencida de que idealista é quem acredita que podemos continuar com o estilo de vida europeu. Nós vamos precisar de pelo menos três planetas para isso, sem contar com os conflitos sociais e ecológicos que são causados no Sul».

Rijnhout disse ainda que o conceito de dívidas ecológicas é recente na Europa (cerca de 10 anos) e o conceito ainda não está bem definido. No próximo ano, a VODO irá promover um Tribunal Internacional sobre tais dívidas.

Para Raina, faz­‑se necessário pensar em mecanismos de reparações para cancelar as dívidas dos países da África, América Latina e Ásia através do reconhecimento da dívida ecológica pela ONU ou Comunidade Europeia, além de se criarem leis e políticas específicas para tal, já que o meio ambiente é a base para o mundo, também para a economia global.

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