|
Informação Alternativa |
|
Mundo |
|
06/09/2004 Tiago Soares Em algum lugar perto
da cidade de Gakona, no Alasca, 180 antenas estão espalhadas ao longo de 33
hectares pertencentes ao Departamento de Defesa dos EUA. Agrupadas como se
fossem uma única e gigantesca antena, preparam-se para bombardear a atmosfera
terrestre na sua camada mais externa, a ionosfera, com 3,6 Gigawatts de raios
de alta frequência. Estas emissões, porém, não procuram alienígenas, ou
qualquer coisa do género. A sua finalidade é alterar a carga magnética da
atmosfera terrestre, estudando as suas consequências e possíveis usos
militares. Iniciado em 1990, o
projecto, baptizado HAARP (Programa de Pesquisa Auroral Activa de Alta
Frequência, na sigla em inglês) é levado a cabo por institutos de pesquisa da
marinha e da força aérea dos EUA juntamente com empresas privadas e
universidades. A sua finalidade seria, oficialmente, o estudo das
interferências sofridas por transmissões de rádio na ionosfera e «garantir o
desenvolvimento de conhecimento, compreensão e capacidade relativa às necessidades
de segurança nacional». Coisas como, segundo dito pelo governo
norte-americano na página oficial do projecto, «pesquisas sobre sistemas de
comunicação, vigilância e navegação que passem pela ionosfera», além do
estudo de «inovações tecnológicas que abram caminho para a detecção de
objectos sob o solo, comunicação com grandes profundidades do mar ou terra, e
a geração de emissões ópticas e infravermelhas». Para muitos
cientistas, porém, esconde-se, sob a imagem de projecto científico
académico-militar, uma caixa de pandora. Camada mais externa
da atmosfera terrestre, a ionosfera estende-se dos 48 km até aos 50.000 km
acima do nível do mar, logo acima da troposfera (até 16 km acima do nível do
mar) e da estratosfera (16 km a 48 km sobre o nível do mar). A partir dos 320
km acima do nível do mar até ao chamado cinturão de Van Allen (área composta
por partículas altamente carregadas, situada entre 14.500 km e 19.000 km de
altura), a terra é cercada por uma espécie de “camada” protectora, que
captura e reflecte a radiação vinda do espaço. Essa delicada
interacção entre os campos magnéticos da atmosfera terrestre protege o
planeta de bombardeios massivos de radiação cósmica, garantindo que coisas
como o clima global e sistemas eléctricos não enlouqueçam ou entrem em pane. O
que o HAARP faz, deixando cientistas de cabelo em pé, é alterar esse
equilíbrio, carregando a ionosfera com radiação de alta frequência. Como, nas
palavras de uma das líderes mundiais no estudo dos efeitos da radiação, a
cientista Rosalie Bertell, à revista canadense Briarpatch de Janeiro de 2000,
«um aquecedor gigantesco capaz de causar colapso severo na ionosfera, criando
não apenas buracos, mas longas incisões na camada protectora que evita que o
planeta seja bombardeado por radiação mortal». Uma vez susceptível à acção da
radiação cósmica, os cientistas acreditam, não sem razão, serem enormes as
chances do planeta ficar à mercê de mudanças climáticas bruscas, panes em
sistemas de transmissão de energia e, mais preocupante, efeitos directos em
organismos humanos. Alguns desses
prognósticos ganham mais força se confrontados com os de Bernard J. Eastlund,
cientista do MIT (Massachussets Institute of Technology) que carrega no
currículo serviços para a Comissão Norte Americana de Energia Atómica e uma
série de grandes corporações. São de uma companhia à qual ele está fortemente
relacionado, a APTI (empresa hoje controlada pela Raytheon), boa parte das
patentes de tecnologia que formam a espinha dorsal do HAARP. No website da
sua companhia, a Eastlund Scientific Enterprises Corporation, Bernard
Eastlund alardeia algumas das possibilidades abertas pelas suas patentes. Entre
tecnologias para “análise de mercado” e “purificação de água”, escondem-se
actividades um tanto mais incomuns – coisas como, por exemplo, “modificação
climática”, ou “controle de tornados”. Para um bom número de
pessoas, o perigo aberto por tais possibilidades transcende o dos simples
perigos naturais inerentes à manipulação da ionosfera. Entre aqueles mais
inclinados a uma boa teoria de conspiração, a ideia corrente é a de que o
HAARP seria uma máquina desenvolvida pelo exército dos EUA para a manipulação
climática. A ideia seria que, mais do que embaralhar sinais de rádio, as
forças armadas norte‑americanas estariam interessadas em controlar o
meio ambiente de campos de batalha e nações inimigas. Os entusiastas dessa
teoria costumam apontar para os escritos de dois ex-assessores da Casa
Branca: Zbigniev Brzezinski (que foi assessor do ex-presidente Jimmy Carter
junto do Departamento de Defesa) e J. F. MacDonald (que trabalhou como
assessor científico junto do ex-presidente Lyndon Johnson), dois defensores
do conceito da “guerra geofísica e ambiental”. Teorias de
conspiração à parte, o facto é que as implicações ambientais do projecto
HAARP chegaram mesmo a levar o Parlamento Europeu a abrir, em Fevereiro de
1998, um comité sobre o assunto, para que, segundo citado em moção, fosse
estudado «junto a um corpo internacional, as suas implicações legais,
ecológicas e éticas». As acções do comité, porém, não chegaram a ir muito
longe. A alegação foi a de que faltava à Comissão Europeia a jurisdição
necessária para analisar, com a profundidade necessária, esse tipo de relação
entre defesa militar e meio ambiente. Alguns, porém, como Michel
Chossudovsky, professor especialista em geopolítica e globalização da
Universidade de Ottawa, no Canadá, sustentam que isso aconteceu com a
finalidade única de não provocar Washington a respeito do assunto. Seja como arma
secreta, experimento científico ou projecto de telecomunicação, as alterações
promovidas pelo HAARP no equilíbrio magnético da atmosfera terrestre, por
ainda não totalmente estudadas, podem revelar-se imprevisíveis e desastrosas.
Em entrevista para o livro investigativo Angels Don’t Play This HAARP,
os seus autores, o cientista Nick Begich e a jornalista científica Jeane
Manning, ouvem de uma nativa do Alasca a sua impressão sobre o projecto: «É
como se fossem garotos que, encontrando um urso adormecido, resolvessem
cutucar o seu traseiro com um graveto afiado para ver o que acontece». Resta apenas esperar que, caso acorde, o
urso não fique muito bravo. |
_____________
Fontes:
HAARP – Site Oficial
Eastlund
Scientific Enterprises Corporation
http://www.eastlundscience.com/
Global
Policy Fórum – Background on the HAARP Project
http://www.globalpolicy.org/socecon/envronmt/weapons.htm
From The
Wilderness – HAARP
http://www.fromthewilderness.com/free/pandora/haarp.html
Prison Planet
– The HAARP That Only Angels Should Play
http://www.prisonplanet.com/analysis_hall_010303_haarp.html
DisInformation
– HAARP Project
http://www.disinfo.com/archive/pages/dossier/id6/pg1/
Earthpulse
Press – Vandalism In The Sky