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31/08/2004 Mark Sommer À medida que a guerra, o terrorismo, a contaminação e a crescente escassez levam o preço do petróleo inexoravelmente para cima, os políticos e os produtores de energia esquadrinham o horizonte em busca de alternativas de curto prazo. A energia solar e a
geotérmica, a biomassa e as correntes oceânicas podem, todas elas, contribuir
de algum modo. Mas, a curto prazo, são insuficientes para reduzir
substancialmente a dependência do petróleo e a força das oligarquias
financiadas pelo combustível fóssil. Mas uma brisa nova e
animadora se levanta. Defensores da energia renovável afirmam que o vento
oferece a melhor opção a curto prazo para reduzir a demanda por petróleo,
carvão e gás natural. Avanços tecnológicos recentes têm aumentado a
eficiência das turbinas de vento e reduzido o preço kilowatt-hora da energia
eólica, que, agora, está se tornando competitivo com o do petróleo. As guerras travadas no
exterior, as ocupações e bases militares para proteger linhas de
abastecimento, e a contaminação do ar e da água, assim como os danos à saúde
humana, fazem com que o verdadeiro custo do barril de petróleo bruto seja não
de 40 dólares, e sim de 200 dólares ou mais. Muito ainda a explorar Em várias partes do mundo, o
potencial da energia eólica diminui o dos combustíveis de origem fóssil, e,
ao contrário do que acontece com o petróleo, o gás e o carvão, a sua fonte é
inexaurível. Mas até agora apenas uma fracção muito pequena desse potencial tem
sido explorada. Ao fim de 2003, foram gerados em todo o mundo 39.000
megawatts de energia eólica, o equivalente à produção de uma dúzia de usinas
nucleares. O vento é a fonte de energia
com maior potencial de crescimento. De acordo com estimativas do departamento
de energia dos Estados Unidos, o vento poderia fornecer o equivalente a mais
de 15 vezes a energia total consumida anualmente em todo o planeta. Além de
diminuir o vício do mundo industrializado pelo consumo quase exclusivo de
combustíveis fósseis, o vento poderia levar energia eléctrica a dois bilhões
de habitantes de nações subdesenvolvidas que, actualmente, não têm qualquer
perspectiva de contar com esse serviço. O mais intenso
desenvolvimento dos recursos eólicos foi o obtido pela Europa Ocidental. A Alemanha está no topo, com
um terço de toda a produção mundial. A pequena Dinamarca obtém do vento 20%
da sua energia, o que representa cinco vezes mais que o produzido pela China
através da mesma fonte. Até mesmo nos Estados Unidos,
cuja política é lubrificada com petróleo, as próprias regiões que há muito
dependem dos hidrocarbonetos vêem crescer a reivindicação popular em favor da
energia eólica como única maneira de superar o fracassado ciclo económico que
transforma comunidades florescentes em cidades fantasmas. Boicote e fingimento Apesar de promissor, o
desenvolvimento de energia gerada pelo vento vem sendo frustrado por
obstáculos numerosos – mais políticos que tecnológicos. Os combustíveis de
origem fóssil ainda “torcem o braço” da economia e das políticas globais. As
companhias transnacionais que, neste momento, dominam a indústria de energia,
bem como as políticas energéticas nacionais, estão conscientes de que o petróleo,
o carvão e o gás natural são recursos finitos e em diminuição, mas estão
decididos a garantir os maiores benefícios possíveis, antes de partirem para
outros recursos. A sua alternativa favorita não é a energia do vento, e sim a
nuclear, uma tecnologia altamente perigosa. Algumas dessas companhias,
como o British Petroleum e a Shell, estão começando a investir em energia
eólica, mas se trata de iniciativas políticas, que servem principalmente para
relações públicas, e não como uma mudança séria nas suas políticas
empresariais. Contra isso, trabalham os seus lobbies com políticos e
fabricantes de automóveis, bem como uma vasta infraestrutura industrial. Com as situações de guerra em
diversas partes do mundo, o declínio nas provisões de petróleo e o
superaquecimento global causado pelos gases, não é nada desprezível uma mudança
voltada ao uso do vento como fonte de energia. O papel da sociedade No entanto, isso não
acontecerá de pronto, a menos que tanto indivíduos quanto instituições
consumidoras de energia protestem firmemente junto dos seus governos e exijam
que estes se comprometam com a instalação maciça, dentro dos próximos 25
anos, de geradores de energia eólica. Sob o domínio dos interesses
petrolíferos, os Estados Unidos projectam que a energia eólica atenda 5% das
necessidades energéticas do país em 2020 – actualmente, esse tipo de energia
é responsável por apenas 0,4% do necessário. Porém, um empurrão social bem
arquitectado poderia garantir que, em tal data, se chegue aos 20%. Para ser completamente eficaz
em reduzir as muitas ameaças que enfrentamos, essa mudança deve ter alcance
mundial e incluir subsídios de outras fontes, além dos cofres arrasados dos
tesouros nacionais. A fonte de financiamento mais adequada seria uma sobretaxa
sobre toda a produção do petróleo e carvão, que poderia, assim, tanto gerar
enorme renda para o desenvolvimento de energia renovável, quanto promover a conservação de recursos
declinantes e ambientalmente destrutivos. |